sexta-feira, 2 de abril de 2010

Luta Incessante

Segue adiante, em meio à multidão (com a impressão de estar sempre no mesmo lugar).

Tomado pela sensação de um vazio impossível de ser preenchido. Observa todos os transeuntes ao seu redor – homens e mulheres sem faces; máquinas urbanas; escravos de suas circunstâncias.

Mantém o ritmo de passos claudicantes, como quem teme o que está próximo.

Conserva, entretanto, a aparente tranquilidade – a falsa imagem de sobriedade e certeza que todos são forçados a sustentar em suas tarefas diárias.

Trava (internamente) uma batalha incessante, em uma guerra da qual jamais sairá vencedor. Busca pelo desconhecido. Procura razões para os sentimentos mais irracionais. Espera explicações para as sensações mais inexplicáveis.

Tenta (em vão) preencher o vácuo que o toma (quase) por completo. Procura ocupar-se com sua rotina. Melancólica tentativa deste que não tem consciência do que provoca a si mesmo.

Alimenta-se de prazeres fúteis e voláteis. Alimenta-se (sem saber) do vazio que enche o seu interior cada vez mais.

Perfaz-se a cada instante, nesta busca incessante pelo desconhecido.

Decompõem-se, então, em minúsculas partículas. Quem sabe se se recompuser, pedaço a pedaço, não surja um novo ser, renovado e despido de qualquer cicatriz do passado?

Talvez, ao se dividir em pequenos "eus", possa surgir uma nova pessoa. Um outro ser, com a incrível capacidade de esquecer as antigas (e dolorosas) lembranças, que um dia já constituíram, para ele, sentido essencial.

Impossível. Somos o passado e o presente que se tornará o amanhã. Somos aquilo que fazemos ou deixamos de fazer. Lembranças e momentos que se confundem e se misturam. Somos, como disse Noberto Bobbio, aquilo que lembramos.

Trava, então uma luta sem fim. Dia após dia, batalhas de uma guerra impossível de ser vencida.

Uma peleja diária contra si mesmo – seus sonhos, suas limitações, suas frustrações, suas esperanças, seus desesperos.

Uma luta incessante contra aquilo que o constitui essencialmente – as lembranças. O passado que não se apaga; o presente a ser vivido e sentido; o futuro que se apresenta a cada segundo e reflete aquilo que somos, fizemos e lembramos.

2 comentários:

Rodinilson disse...

como ficou a PEC 10/2007? foi vetada ou arquivada?

Roman disse...

Emanuel,
como posso conseguir uma cópia da tua monografia “A divisão das cotas de televisão do campeonato brasileiro de futebol à luz do princípio da igualdade”. Obrigado.