quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Vencer é o que importa?


"O vice-campeão é o primeiro dos últimos".

Essa é uma frase bastante comum no nosso país. Significa que ficar em segundo é sinônimo de fracasso. Apenas a vitória interessa, não importando os meios necessários para atingi-la. Perder, mesmo que com dignidade, superando suas fraquezas e seus limites, é fracassar e não tem valor algum. Em resumo, se você não é um vencedor, você é um nada, insignificante; apenas os vencedores têm valor e merecem admiração.

Infelizmente, esse pensamento não se resume exclusivamente ao mundo esportivo. O esporte reflete a sociedade. Se já é lamentável no mundo esportivo, o que dizer do meio social? Ultrajante, absurdo. É um tipo de pensamento que se torna prejudicial à vida humana, posto que entra em conflito com a idéia de solidariedade, que deveria ser primordial em qualquer relação humana e no convívio coletivo.

As pessoas vivem em constante competitividade, são educadas para competir, ser sempre melhores dos que as outras. Cria-se um individualismo que retira qualquer forma de solidariedade. A idéia de apoio ao próximo se torna ridícula. O que importa é o sucesso individual. Não se procura dar o melhor de si e tentar ajudar o próximo para que ele atinja seu objetivo. A derrota e o fracasso do outro são celebrados quando lhe favorece.

A competitividade extrema rima com individualidade, o oposto de coletividade e companheirismo. Na maioria das vezes, fazer apenas o seu não é suficiente para que o todo cresça e haja harmonia no meio social. Pelo contrário, o individualismo cria um fosso que separa as pessoas umas das outras, gera desigualdade e descrepâncias.

Viver em sociedade significa viver em coletividade. E isso deveria ser sinônimo de solidariedade, de trabalho em conjunto. Infelizmente vivemos em um mundo dominado pelo pensamento competitivo de ser o melhor e do absurdo de que "os mais fortes sobrevivem", como se competição, individualismo e egoísmo fossem características da natureza humana.

Um time de futebol é o conjunto de 11 jogadores ou o individualismo de 1 estrela? Quantas vezes não vimos um time muito mais fraco, sem estrelas, vencer um adversário repleto de grandes jogadores? O craque não joga sozinho, ele precisa de seus companheiros dentro de campo para que sua qualidade técnica se sobressaia e faça a diferença; ele pode vir a ser o jogador chave, o homem decisivo e mais importante do jogo, mas jamais decidirá sozinho, pois sem o apoio de seus companheiros no retângulo gramado, ele não logrará êxito. É o trabalho do conjunto, a força da coletividade que faz um time vencedor.

Na sociedade também deveria ser assim. O trabalho em conjunto, a cooperação entre todos, a força da coletividade deveriam ser valorizadas e postas em prática. Enxergar o próximo, saber dividir com ele o sucesso e ajudar a ultrapassar os obstáculos e evitar o fracasso. Cultivar o trabalho em equipe, aproveitar o que cada um tem de melhor para que o todo obtenha sucesso.

O crescimento coletivo gera o crescimento individual.

2 comentários:

marla_faria disse...

lindo!
adorei!
também concordo em gênero,número e grau.
vc deveria fazer um texto agora sobre o aumento das passagens de ônibus!
te amo,beijussss

Anônimo disse...

Concordo plenamente com o que escreveu. Infelizmente a maioria das pessoas se preocupam mais com vitórias individuais do que coletivas. Talvez não propositalmente, mas por conta da concorrência e cobrança. Já perdi demais por pensar "coletivamente". Tento ser mais egoísta por agora...Um dia eu consigo. Abraço