quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Um dia fora do comum

Algo novo para mim, nunca havia escrito nada neste gênero. Espero que gostem e comentem!

Um dia fora do comum

Acordei bem cedo, com o sol batendo em meu rosto e o suor entrando em meus olhos. Maldita terra de calor infernal! O ar-condicionado está quebrado, o ventilador não dá vencimento. E eu me esqueci de comprar uma nova persiana, mas de hoje não passa. Levanto-me lentamente, quase que sem querer. Meu cachorro se anima, balança o rabo, faz seu costumeiro som de quem pede algo. Já sei, já sei, você quer comida, não é? Ele corre em direção à cozinha, eu ando na direção do banheiro para lavar o rosto. Ele volta, chama minha atenção, ele é a prioridade e não eu. Tá certo, tá certo, vamos colocar seu café da manhã (vejam que cachorro cheio de mordomia, ele toma café da manhã enquanto muitos seres humanos passarão o dia com o estômago vazio no mundo inteiro, mas não preciso ir muito longe, basta andar até a esquina que encontrarei alguns cheirando cola e pedindo esmolas no sinal).

Cachorro alimentado, embora nunca satisfeito, volto-me para meus afazeres rotineiros. Lavo o rosto, escovo os dentes, relembro a minha programação do dia e vou à cozinha. Não costumo comer muito pela manhã, sei que os médicos sempre dizem, O café da manhã é a principal refeição do dia, porém eu nunca fui uma pessoa que segue as orientações médicas e os conselhos para uma vida saudável. Apenas um copo de suco de tamarindo, muito ácido para se tomar de estômago vazio? Sim, talvez, mas eu já disse que não me preocupo em levar uma vida saudável, vivo e deixo que a vida de em retorno aquilo que eu procurei em minhas ações e opções.

Café da manhã resolvido, é hora de levar o cachorro para passear. O pobre já está desesperado, não me deixa em paz um segundo. Pego na coleira, que alegria imensa, ele pula, late, balança o rabo. São essas pequenas coisas que nos dão prazer na vida, não há nada mais animador do que você ver um animal contente e expressando toda a sua alegria. Caminho pela rua tranqüilamente, na medida do possível, claro, afinal sou puxado constantemente, ora para uma árvore, ora para um poste ou canto de um muro. Estou distraído e sinto aquele puxão, ele me leva para trás de forma brusca. Era uma cadelinha, bem novinha e da mesma raça do meu, que passeava com sua bela dona. E lá vai ele se socializar com a cadelinha. Eu fico lá parado, sem graça, digo um Oi, bom dia, respondido educadamente por ela, Oi, bom dia. E meu cão todo animado, 'conversando' com sua nova amiga. Nova? Sim elas (dona e cadela) são novas por estes lados. Que pessoa simpática, vai logo conversando, apresenta-se e começamos a caminhar juntos, conhecendo-nos melhor. Os cães se deram bem, os donos também.

Domingo de sol, céu azul de brilho intenso, belo dia pela frente. Uma nova e belíssima amiga, educada, simpática. Então faço a pergunta, O que você vai fazer hoje? Eu?, pergunta ela, e prossegue, Não tenho nada programado, na verdade, iria passar a manhã em casa, lendo e à tarde ligaria para alguma amiga e ver o que tem de bom. Gosta de praia?, eu pergunto, Estava pensando em ir à praia, mas não tenho companhia (mentira, eu havia marcado com uns amigos para tomarmos umas geladas antes de irmos torcer por mais uma vitória do nosso glorioso time, porém a prioridade agora é outra e o programa de domingo pode ser alterado sem problemas). Sim, gosto, ela responde. Então, vamos à praia?, faço o convite, Posso te pegar daqui a meia hora? Sim, tudo bem, vai ser legal, adoro praia, diz ela demonstrando mais interesse.

Deixo-a à frente de seu prédio, que fica pouco à frente do meu, e volto para casa sorridente, animado. Se fosse um cachorro estaria a pular e a balançar meu rabo de felicidade. Que bela, pele levemente dourada, cabelos lisos e claros abaixo dos ombros (mas não muito longos), corpo torneado e de curvas sensuais. Já em casa, preparo uma dose de uísque 12 anos, com duas pedras de gelo, para me acalmar e controlar um pouco a tensão. Não consigo parar de pensar naquela bela mulher, tão simpática, que vai comigo à praia e, por mim, não será a última de nossas saídas. Bebo minha dose, tomo um banho, visto uma sunga, bermudão, camiseta regata, pego a chave do carro e torço para que meu dia seja agradável.

Como ela disse que gosta de Pink Floyd, então coloco Anathema para tocar no som do carro (garanto como deste álbum ela vai gostar). Ela já me aguarda na portaria do prédio. Que linda!, penso. Ela entra no carro, sorri, que sorriso encantador (novamente apenas em pensamento), e um pouco depois pergunta o que está tocando. Anathema, eu disse, Não conheço mas essa música é legal (sabia que ela ia gostar, não tem como não gostar de One Last Goodbye). Seguimos então, a praia é perto, não levamos 10 minutos para chegar, curta distância, curto espaço de tempo, mas o suficiente para passarmos por vários semáforos e vários seres humanos marginalizados, excluídos de nossa sociedade; são pessoas de um mundo completamente diferente, que nossa sociedade egoísta faz questão de ignorar e só lembrar quando alguém vem pedir esmola junto ao seu carro ou então quando aponta uma arma para a sua cabeça. Há uma linha tênue e invisível que separa esses dois mundos, porém reflexo de um abismo enorme na distribuição de renda, das riquezas e a total falta de respeito e prioridade ao ser humano.

Chegamos à praia, sentamos e começamos a tomar uma cerveja. O papo se desenrola, um assunto puxa o outro, um autor, um livro, um pensamento, idéias e visões que vão se encaixando. Convido-a para darmos um mergulho. Deixo-a seguir ligeiramente à frente, para que possa admirar um pouco de sua beleza, suas curvas sinuosas, perigosamente sinuosas... Ela olha para trás, presenteia-me com mais um de seu encantador e fascinante sorriso, e me chama para ver quem chega primeiro à água. Corro e digo que chego primeiro do que ela, embora esteja para trás. Ela disse que quem perdesse pagaria o jantar. Como? Será que ouvi direito, ela falou em jantar? Mal podia acreditar em que acabara de ouvir, ainda desnorteado com tamanha surpresa, corro alegremente para a água, contudo nem um pouco preocupado em chegar primeiro, pois em minha cabeça só imaginava aonde iria levá-la à noite.

Vai pagar o jantar, vai pagar o jantar, brincou ela celebrando sua "vitória". Mesmo tendo perdido a "corrida", eu ainda me sentia um vencedor, afinal acabara de conquistar uma bela mulher. Sem muita cerimônia, coloco meus braços ao redor dela, trago-a para junto de mim e a beijo intensamente. Que momento único de puro prazer e deleite; que beijo sensacional, quando meus lábios tocaram os dela, nossas línguas se entrelaçaram, foi como se o tempo tivesse parado e o mundo ao meu redor deixado de existir. O que era aquilo que estava sentindo??? Aproveitei aquele momento como se fosse o último, todos os beijos que se seguiram foram aproveitados com a mesma intensidade como se se tratasse do primeiro e último.

Saímos da água, pagamos as cervejas consumidas. Fui deixá-la em casa, à portaria mais um intenso e acalorado beijo. À noite eu passo aqui para te pegar, por volta das 20h fica bom para você?, perguntei a ela, Sim, está perfeito, olha que quero ver se você vai me levar a um lugar que eu gosto, viu?, ela respondeu, com a típica pressão que apenas as mulheres sabem fazer em um homem. Lá fui eu para casa, agora preocupado em não estragar tudo escolhendo o restaurante errado. Aonde eu vou levá-la?, essa foi a pergunta que perseguiu pelo resto do dia.

Algumas doses de uísque 12 anos, com duas pedras de gelo, ao longo do dia ajudaram a escolher um local. É, não podia ser outro, este seria o local ideal para levara alguém com quem se sai pela primeira vez, calmo, recatado, aconchegante. No som de casa o bom e velho Sepultura, um som agitado para manter a adrenalina no ponto certo.

Começo a me arrumar. Cuido de todos os detalhes, faço a barba, penteio bem o cabelo, escolho uma calça jeans, minha camisa do All Blacks que cai muito bem com um jeans e fica legal para se sair à noite, e um perfume, muito perfume, pois ela já dera a entender que gosta de homens muito cheirosos.

Chego ao prédio dela, ela não está na portaria. Dou um toque em seu celular, digo que a estou aguardando, ela, educadamente, pede desculpas e diz que já vai descer. 3 minutos contados no relógio de espera (será que sou maluco ou apenas impaciente?) e ela chega, sedutora, estonteante, uma blusa realçando o corpo, uma saia jeans mostrando suas belas pernas; meu coração bate mais forte. Ela entra no carro e me dá mais um de seus beijos apaixonantes. E aí, aonde vamos?, perguntou ela. Aguarde e você verá, eu respondi.

Saímos da cidade, levo-a para uma cidade próxima, mas com um clima completamente diferente, mais ameno, vento frio que pede um bom vinho tinto do Porto e nos convida a comer algo quente. Eis que chegamos a nosso destino, um restaurante suíço, pequeno, íntimo, acolhedor. Já comeu fondue?, pergunto. Não, nunca, mas sempre tive vontade, responde ela com um sorriso de quem gostou da surpresa.

Sentamos à mesa, pedimos o vinho do Porto da safra de 1999, uma boa safra. Vinho é o néctar dos deuses, um Porto 1999 é um boa pedida para se beber ao lado de uma bela deusa. O fondue chega à mesa, espero pela opinião dela... Adorei, muito bom!, diz ela ao se deliciar com o primeiro pedaço de pão molhado com a mistura de queijos derretidos, vinho e outros ingredientes que compõem o fondue. Conversamos, nos beijamos, nos conhecemos um pouco mais. Ela me diz que não esperava por algo tão envolvente e encantador, que eu consegui surpreendê-la. Sem dúvida foi uma noite que pode ser descrita como agradável, uma porta aberta para muitas outras.

Na volta para casa, vejo se há alguma possibilidade de estendermos a noite. Ela, muito esperta, compreende minhas intenções e diz, Você gosta de acelerar as coisas, não é? Eu respondo, Não, estou indo apenas a 80 km/h. Ela sorri e diz, Muito engraçado, porém comigo você vai ter que se acostumar a ir a 40km/h, viu? Sim, não há problema algum, com você vou até a 20 km/h, contanto que esse dia de hoje se repita muito mais vezes.

Paro junto à portaria do seu prédio, beijo-a mais uma vez intensamente, sentindo seus lábios reconfortantes junto aos meus, sua língua sedosa e excitante se entrelaçar a minha. O mundo pára novamente, tudo ao meu redor deixa de existir e apenas aquele singelo ato passa a ter valor. Tenha uma boa noite, linda. Boa noite para você também e obrigada por hoje, ela se despede e desce do carro. Passo a primeira marcha, tiro pé da embreagem, acelero, pé na embreagem, passo a segunda marcha, tiro o pé da embreagem, acelero... Volto para casa que nem sinto meu corpo, meus pés, apenas penso no dia e especialmente na noite magnífica.

E assim terminou meu dia, começou como apenas mais um dia em minha vida, com meus rotineiros hábitos do cotidiano e se desenrolou de uma forma completamente inesperada, apaixonantemente inesperada. Que belo dia, um domingo de sol, céu azul de brilho intenso; uma noite de céu estrelado, cintilante... Um convite ao amor.

4 comentários:

Paulo Peterson disse...

Parabéns Emanuel, belo texto, gostei muito da temática abordada por vc para narrar seu dia. Abraço

Henrique Alves disse...

pow q foda XD!!!Um dia kem sabe eu tenho essa sorte ne?
Os melhores momentos são akeles q chegam sem agente esperar...

marla_faria disse...

como sempre...escrita impecável! já ta virando clichê eu dizer isso :p
bom em relação ao conteúdo...sem comentários ¬¬
amei esse texto muito mais que os outros,valeu por mil depoimentos,ou tio pepes...se é q vc me entende?!
bom...resumindo se a ficção imita a vida,creio eu q essa vida está muito bem vivida...garanto tudo q é bom dura muito...:p
te amoooo muitoooooooooo

Nefer disse...

Legal o texto, mas fiquei em duvida de a historia é verídica? :P na nossa sociedade pra desfrutarmos de um certo padrão de vida iremos sempre saber o preço que estaremos pagando por elas, ou não né? Enfim, a sociedade é capitalista e sempre poucos privilegiados irão ter dignidade pra viverem bem e aproveitarem o que a vida tem de bom.