terça-feira, 15 de abril de 2008

Futebol: Regulamento omisso e outras


Vamos falar um pouco sobre o futebol pernambucano.

Regulamento omisso.

Primeiramente, falarei a respeito de algo que tem sido discutido desde o último domingo e que a impensa local noticiou como se fosse algo extraordinário.

É o caso do Santa Cruz, supostamente, estar em 3º lugar na classificação geral do campeonato pernambucano 2008. O Santa Cruz, pessoal, que disputa o Hexagonal do Descenso, conhecido como Hexagonal da Morte, ou seja, aquele que reúne os 6 piores clubes do campeonato.

Alguém minimamente racional irá fazer a pergunta: se ele disputa o hexagonal dos piores, como pode figura em 3º lugar no geral, incluindo os melhores?

Pois é, coisas deste campeonato pernambucano esdrúxulo. Um torneio em que não houve clássicos no 1º turno e que, por conta de sua peculiaridade (vamos dizer assim), tirou ao Santa Cruz o direito de disputar clássicos em 2008.

Agora surge essa questão que, de certa forma, é polêmica. A imprensa informa, com um estranho tom de comemoração, que o Santa Cruz é o 3º lugar no geral. Muitas pessoas já repetem esse inusitado e incoerente fato, aceitando-o como se fosse verdade, sem, como de costume, questionar e raciocinar antes de repetirem algo que lêem, ouvem ou vêem na imprensa.

Vamos aos fatos.

Eu já tinha lido o regulamento da competição e não me recordava de ter visto algo a respeito do assunto agora em voga.

Por conta disso, li e reli o tal regulamento e cheguei à seguinte conclusão:

Há OMISSÃO com relação à classificação geral do campeonato ao final do 1º e 2º turnos e isso passa como ficarão os clubes tanto do Hexagonal do Título (os 6 melhores) quanto do Hexagonal do Descenso (os 6 piores, onde se encontra o Santa Cruz).

O regulamento não fiz expressamente que os clubes do Hexagonal do Título serão os 6 primeiros colocados ao final do campeonato, bem como não faz referência aos clubes do Hexagonal do Descenso figurarem entre os 6 melhores ao final de toda a competição.

Como eu disse acima, qualquer pessoa com a mínima capacidade racional irá questionar a carência de lógica no fato de um time que disputa o Hexagonal do Descenso (ou seja, dos PIORES) possa ficar à frente de um time que dipusta o Hexagonal do Título (ou seja, dos MELHORES).

Isso não faz sentido algum. Um clube que tem a chance de disputar o título do 2º turno não pode ficar, ao final do campeonato, atrás do clube que disputa para não ser rebaixado à Segunda Divisão estadual. Coisa de louco ou de quem acha que todos são idiotas!

E essa questão se reflete na disputa pelas 3 vagas de Pernambuco na Série C de 2008. O futebol pernambucano tem 3 vagas de acesso à Série C e o campeonato pernambucano é o torneio "classificatório" para esta competição nacional. O Santa Cruz já está garantido na "terceirona", posto que foi rebaixado da Série B. Então, as 3 vagas estão em jogo e quais clubes ficarão com elas? Os que disputam o Hexagonal do Título, que estão entre os 6 melhores ou todos os clubes, incluindo aqueles do Hexagonal do Descenso, dos 6 piores?

Atualmente, na teoria, as 3 vagas vão para:

Central - 28 pontos
Salgueiro e Ypiranga - 26 pontos

Todos do Hexagonal do Título.

Acontece que o Petrolina, do Hexagonal do Descenso, tem 25 pontos. Portanto, é possível que nas duas últimas rodadas o Petrolina ultrapasse Salgueiro ou Ypiranga, ou mesmo os dois clubes. E aí, o Petrolina, do Hexagonal dos piores, ficará com uma vaga na Série C em detrimento de um clube que disputou o Hexagonal dos melhores?

Bem, pela lógica da imprensa pernambucana, sim. Pois se o Santa é o 3º lugar geral do campeonato, logo o Petrolina também ficaria à frente de um ou dos dois clubes supra citados.

Ocorre que:

1. O regulamento é omisso quanto a este ponto.

2. Isso não faz, como já foi dito, o menor sentido.

E de quem é a culpa?

Do gênio que criou este regulamento criticado por todos os torcedores. Dos dirigentes de TODOS OS CLUBES que aprovaram, por unanimidade, este regulamento tosco e esdrúxulo.

Se há omissão, o que fazer?

Vamos ao Art. 72 do genial regulamento, pois é nele que se encontra a base para dirimir qualquer dúvida gerada por omissão. O citado artigo diz, ipis literis:

Como em meu entendimento há omissão, acredito que a FPF terá que se pronunciar a respeito.

Assim sendo, a FPF terá duas opções:

1. Redimir-se um pouco da besteira que fez ao estragar o campeonato pernambucano com este regulamento tão criticado.

2. Manter a insensatez e aumenta ainda mais a besteira.

Torço para que haja lógica e que vença o bom senso.

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Náutico consegue aumento da "Cota da TV".

O Náutico conseguiu um aumento de sua cota de televisão do campeonato brasileiro 2008. Pulou de R$3,2 milhões para R$5,5 milhões (embora as notícias sejam conflitantes, muitas falam em R$3 mi e R$5 mi, enfim...).

O clube bateu o pé em janeiro deste ano e disse que não assinaria o acordo se fosse receber as migalhas que recebera pelo campeonato do ano passado. Os argumentos eram simples e diretos:

1. Com essa cota o clube estaria condenado ao rebaixamento ou, na melhor das hipóteses, à briga contra o rebaixamento (assim como em 2007).

2. Não era justo receber em 2008 o mesmo valor recebido em 2007. Se em 2007 o valor já era injusto se comparado a todos os outros clubes, o que dizer a respeito de receber o mesmo valor sendo o seu segundo ano consecutivo na 1ª divisão? Não fazia sentido e nem era justo.

Graças à postura firme da Diretoria e com a ajuda de Congressistas pernambucanos torcedores do Náutico, o clube conseguiu, após meses de discussões, reuniões e resistência, o aumento na sua cota. Mas a que custo foi concedido este aumento? Quais teriam sido os argumentos dos "nossos" congressistas junto ao presidente da CBF e da rede de televisão detentora dos direitos do campeonato brasileiro? Ficam os questionamentos, as dúvidas.

De qualquer sorte, R$5,5 milhões é muito melhor que R$3,2 milhões, mas continua a ser migalha. O Náutico deixou de ser o clube com pior cota, ao lado do Ipatinga, para ser o clube com a segunda pior cota do brasileirão 2008.

O Náutico tem cota pior do que o Bahia, que está na Série B do campeonato brasileiro. Isso para não falar do Corinthians, que ano passado foi rebaixado com cota quase que 10 vezes superior à do Náutico, e que este ano negociou com a tal rede de televisão e irá receber quase 6 vezes mais que o Náutico.

Eita que a Série B é muito boa, hein? Ou será que existe algo de muito errado nessa divisão do gordo e apetitoso bolo do dinheiro da "TV"? O que me causa mais estranheza é que são poucos os jornalistas e críticos a questionarem essa situação. Ou alguém já viu algum jornalista de projeção nacional escrever ou falar sobre este assunto? Ninguém questiona, ninguém discute. Até os paladinos da imprensa esportiva brasileira analisam o campeonato brasileiro e falam dos clubes como se todos estivessem em pé de igualdade.

Agora temos novidades. Dizem por aí que a partir de 2009 a divisão da "cota da TV" será mais justa, baseada em critérios mais transparentes e técnicos. Especula-se que alguns fatores serão determinantes na divisão do bolo de dinheiro da "TV", a saber:

- Média de público nos estádios.

- Transmissões pela TV.

- Desempenho no campeonato brasileiro.

Torcemos para que isso ocorra. São critérios mais cristalinos e justos. Receberá mais aquele que levar mais público aos jogos, que tiver mais transmissões pela TV (o que é lógico e ocorre em países da Europa, mas porque nunca questionaram isso por aqui? Vai saber...) e que for melhor no campeonato, ou seja, dentro de campo. Enfim critérios técnicos prevalecerão e deixarão de lado a mera vontade de um grupo ou o interesse de uns em detrimento de outros.

Em se tratando de Brasil, surge a pergunta: será???

Esperamos que sim.

Assim sendo, eu lanço dois questionamentos com relação ao Clube Náutico Capibaribe:

- Será que a Diretoria irá revelar, finalmente, o público real dos jogos?

Os comentários entre todos os torcedores é que o público real sempre é omitido e o anunciado oficialmente é encolhido. Isso fica aparente em muitos jogos, quem é acostumado a ir ao Estádio dos Aflitos custa a acreditar no público anunciado oficialmente. Eu sempre tenho minhas dúvidas, mas são apenas dúvidas, afinal quem irá afirmar tal coisa?

Temos aí uma boa chance de, finalmente, acabarmos com essa dúvida.

Mas aí poderá surgir uma nova dúvida, que é o meu segundo quesionamento:

- Será que vamos ver um fenômeno inverso, ao invés de encolher o público anunciado oficialmente, haverá um inchaço?

Se todos questionam os públicos anunciados até hoje, sempre por acharem que vão mais pessoas aos jogos do que o anunciado, deve ser porque exista certa facilidade em não se anuciar o público real.

Portanto, se há esta facilidade, ela também poderá se verificar ao contrário a partir de agora. Se ter mais público é o que interessa, o que impediria de haver um inchaço?

O tempo nos dirá.

2 comentários:

Arthur Felipe disse...

DO carai Emanuel! Gostei mto! E realmente concordo totalmente.
Flw

Andre disse...

Ps, cara na maior, sobre a questão do Pernambucano não dúvidas que desde o começo existiu a itenção de ajudar um dos 3 times grandes, ao final deste fato, só me resta afirmar que a ajuda foi dada ao Santa Cruz,zaer o que paciência, nossos queridos OLIVEIRAS estão no comando a quanto tempo????

André Pajé