domingo, 19 de dezembro de 2010

FC Porto o clube mais vezes campeão no Século XXI


Passados os primeiros 10 anos do Século XXI, resolvi fazer um levantamento dos clubes mais vezes campeões neste período. Levei em consideração os títulos nacionais – campeonatos, taças, supertaças - e internacionais – continentais e intercontinentais/mundiais.

Como o estudo diz respeito ao Séc. XXI, iniciado em 01 de janeiro de 2001, contaram-se os títulos a partir da temporada 2000/01 (europeus) e 2001 (sul-americanos) até a temporada 2009/10 (Europa) e 2010 (América do Sul e também Mundial de Clubes).

O clube mais vezes campeão no Séc. XXI foi o FC Porto, que conquistou 20 títulos nacionais e internacionais nos 10 primeiros anos do século corrente.

Aos portugueses do FC Porto seguem-se os alemães do Bayern de Munique e os ingleses do Manchester United (16 títulos), os franceses do Lyon (15 títulos) e os italianos da Internazionale de Milão (14 títulos). Completando o “top 10”, encontram-se cinco clubes empatados com 13 títulos: Boca Juniors, Barcelona, Celtic Glasgow, Olympiakos e Shakhtar Donetsk.

Não é de surpreender que os três primeiros nesta lista sejam FC Porto, Bayern de Munique e Manchester United. Os três clubes são detentores de uma hegemonia doméstica que vai além dos últimos 10 anos – são, pelo menos, duas décadas a duas décadas e meia de superioridade sobre os seus rivais locais.

Em Portugal, por exemplo, o segundo clube que mais venceu no Séc. XXI foi o Sporting, que conquistou 7 títulos neste período – são 13 títulos a menos que o senhor do futebol português e, também, maior vencedor no Mundo, o FC Porto e suas absolutas 20 conquistas.

O Lyon surge em 4º lugar e este fato também é reflexo da supremacia deste clube por largos anos nas competições domésticas – todos os seus 15 títulos foram conquistados em competições francesas; é o único clube dos 5 maiores vencedores a não somar um único título internacional.

A Inter de Milão, por sua vez, atingiu o “top 5” da lista muito por conta do pentacampeonato nacional conquistado na segunda metade destes 10 primeiros anos de Séc. XXI, como também pelos espantosos e incontestes 5 títulos conquistados na última temporada – Liga dos Campeões, Campeonato Italiano, Taça da Itália, Supertaça Italiana e Mundial de Clubes. Por sinal, foi o Mundial de Clubes, conquistado ontem, que tirou a Inter a lista de clubes com 13 títulos e a isolou na 5ª posição.

São 5 os clubes que conquistaram 13 títulos no período em análise. Destes 5, destaco 2: Boca Juniors e Barcelona.

Os argentinos do Boca Juniors se destacam por terem conquistado 9 títulos internacionais, sendo 3 Libertadores, 1 Mundial de Clubes, 2 Taças Sul-Americanas. É o clube que mais conquistou competições internacionais no Séc. XXI.

Já os catalães do Barcelona, destacam-se por suas 2 Liga dos Campeões, 1 Mundial de Clubes e seus 4 títulos espanhóis – os maiores campeões da Espanha no período.

Mas nada se compara aos 20 títulos do FC Porto, sendo: 1 Liga dos Campeões, 1 Mundial de Clubes, 1 Taça UEFA, 6 Campeonatos, 5 Taças de Portugal e 6 Supertaças de Portugal.

Em relação ao futebol brasileiro, os dois clubes que mais conquistaram títulos nacionais e internacionais no Séc. XXI foram o São Paulo (1 Libertadores, 1 Mundial de Clubes, 3 Campeonatos Brasileiros) e o Internacional (2 Libertadores, 1 Mundial de Clubes, 1 Sul-Americana, 1 Recopa Sul-Americana).

Frise-se que há explicações para o fato de nenhum clube brasileiro se destacar.

A principal delas é o enorme equilíbrio que existe no Campeonato Brasileiro. Neste século, foram sete os clubes que conquistaram o campeonato brasileiro – Atlético-PR, Santos (2x), Cruzeiro, Corinthians, São Paulo (3x), Flamengo e Fluminense. Não há nada comparável a isto nos maiores campeonatos nacionais, talvez apenas na Argentina, porém lá há dois campeões nacionais por ano, sendo, portanto, uma realidade bem diferente.

Além disso, há no Brasil uma aberração: os clubes que disputam a Libertadores (maior competição de clubes do continente) não podem disputar a Copa do Brasil. O São Paulo, por exemplo, não disputou a competição nos últimos sete anos.

E

sse regulamento impede que alguns dos melhores clubes possam conquistar a segunda competição nacional em importância.

O FC Porto, por exemplo, conquistou três “dobradinhas” (Campeonato e Taça no mesmo ano) do Séc. XXI: 2002/03, 2005/06, 2008/09. Em uma das ocasiões, foi uma Tríplice Coroa (Competição Europeia – Taça UEFA, Campeonato e Taça): 2002/03.

Após estas considerações, segue-se a lista dos 10 maiores vencedores no Séc. XXI:

1º. FC Porto: 20 títulos

Liga dos Campeões - 1 (2003/04);

Taça Intercontinental/Mundial de Clubes - 1 (2004);

Taça UEFA/Liga Europa - 1 (2002/03);

Campeonato Português - 6 (2002/03, 2003/04, 2005/06, 2006/07, 2007/08, 2008/09);

Taça de Portugal – 5 (2000/01, 2002/03, 2005/06, 2008/09, 2009/10);

Supertaça de Portugal – 6 (2000/01, 2002/03, 2003/04, 2005/06, 2008/09, 2009/10)

2º. Bayern de Munique: 16 títulos

Liga dos Campeões – 1 (2000/01); Taça Intercontinental/Mundial de Clubes – 1 (2001); Campeonato Alemão – 6 (2000/01, 2002/03, 2004/05, 2005/06, 2007/08, 2009/10); Taça da Alemanha – 5 (2002/03, 2004/05, 2005/06, 2007/08, 2009/10); Taça da Liga Alemã – 2 (2004, 2007); Supertaça da Alemanha – 1 (2010)

3º. Manchester United: 16 títulos

Liga dos Campeões – 1 (2007/08); Taça Intercontinental/Mundial de Clubes – 1 (2008); Campeonato Inglês – 5 (2000/01, 2002/03, 2006/07, 2007/08, 2008/09); Taça da Inglaterra – 1 (2003/04); Taça da Liga Inglesa – 3 (2005/06, 2008/09, 2009/10); Supertaça da Inglaterra – 4 (2003, 2007, 2008, 2010)

4º. Lyon: 15 títulos

Campeonato Francês – 7 (2001/02, 2002/03, 2003/04, 2004/05, 2005/06, 2006/07, 2007/08); Taça da França – 1 (2007/08); Taça da Liga Francesa – 1 (2000/01); Supertaça da França – 6 (2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007)

5º. Internazionale de Milão: 14 títulos

Liga dos Campeões – 1 (2009/10); Taça Intercontinental/Mundial de Clubes – 1 (2010); Campeonato Italiano – 5 (2005/06, 2006/07, 2007/08, 2008/09, 2009/10); Taça da Itália – 3 (2004/05, 2005/06, 2009/10); Supertaça da Itália – 4 (2005, 2006, 2008, 2010)

6º. Boca Juniors, Barcelona, Celtic Glasgow, Olympiakos, Shakhtar Donetsk: 13 títulos

Boca Juniors: 13 títulos

Taça Libertadores da América – 3 (2001, 2003, 2007); Taça Intercontinental/Mundial de Clubes – 1 (2003); Taça Sul-Americana – 2 (2004, 2005); Supertaça Sul-Americana – 3 (2005, 2006, 2008); Campeonato Argentino – 4 (2003, 2005, 2006, 2008)

Barcelona: 13 títulos

Liga dos Campeões – 2 (2005/06, 2008/09); Taça Intercontinental/Mundial de Clubes – 1 (2009); Supertaça Europeia – 1 (2009); Campeonato Espanhol – 4 (2004/05, 2005/06, 2008/09, 2009/10); Taça do Rei – 1 (2008/09); Supertaça da Espanha – 4 (2005, 2006, 2009, 2010)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

FC Porto – invencibilidade recorde e outras ponderações


Já foi escrito neste blog que o FC Porto é o único clube invicto da Europa na temporada 2010/11 (http://emanuel-junior.blogspot.com/2010/12/fc-porto-invictus-o-unico-clube-invicto.html).

No sábado passado, 11 de dezembro, o FC Porto recebeu e goleou o Juventude de Évora no Estádio do Dragão, em jogo a contar pela Taça de Portugal – 4x0 foi o resultado final, com gols de Falcao, Moutinho (que estreou-se a marcar pelo FC Porto), Alvaro Pereira e Walter.

A vitória de 4x0 do último sábado (a propósito, um aparte delicioso: "Já houve grandes que saíram do Dragão com derrotas mais pesadas", Miguel Ângelo, treinador do Juventude de Évora) foi a 21ª vitória em 24 jogos oficiais do FC Porto na atual temporada.

Além de ampliar a invencibilidade na época corrente, o FC Porto atingiu um recorde histórico – 34 jogos oficiais sem perder. É que à invencibilidade de 24 jogos em 2010/11 somam-se as 10 vitórias nos 10 últimos jogos oficiais na temporada 2009/10.

O anterior recorde de invencibilidade do FC Porto fora estabelecido entre 05 de outubro de 2003 e 28 de março de 2004, quando o time treinado por José Mourinho passou 33 jogos sem perder.

Já o recorde atual, por sua vez, iniciou-se a 24 de março de 2010, com a vitória em Vila do Conde por 1x3 frente ao Rio Ave (jogo de ida da semifinal da Taça de Portugal).

A segunda partida desta sequência de 34 jogos invictos do FC Porto foi em Lisboa, frente ao Belenenses, a 28/03/2010. O FC Porto venceu por 0x3 e este dia traz um fator marcante: o retorno de Hulk aos jogos oficiais nacionais após a arbitrária e injusta suspensão por parte da Comissão Disciplinar da Liga.

Lembremos que o Hulk ficou impedido de vestir as cores azuis e brancas após a emboscada do Túnel da Luz, na qual o Benfica colocou seguranças particulares onde não poderiam estar (qual foi mesmo a punição ao clube infrator?).

O jogo do Túnel da Luz foi a 20/12/2009. Na altura, o FC Porto estava a um ponto do seu rival. Perdeu por 1x0 em gol precedido por um impedimento que o árbitro não viu (frise-se: foi o mesmo árbitro que na final da Taça da Liga de 2008/09 viu penalty inexistente a favor do Benfica, o que permitiu o empate e a decisão do título nas penalidades máximas).

Após este jogo, Hulk caiu na emboscada e foi alvo de uma inédita decisão da Comissão Disciplinar da Liga. Primeiro ficou suspenso preventivamente – uma verdadeira aberração jurídica sem precedentes na história.

Depois de a Comissão Disciplinar deixar esgotar todo o tempo que tinha para tomar uma decisão, veio o julgamento – 4 meses de suspensão.

O FC Porto recorreu ao Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol e, então, foi feita justiça – a suspensão de 4 meses foi reduzida para 3 jogos, cumprindo-se, desta forma, a previsão legal (no caso, os regulamentos).

Note-se que Hulk ficou de fora por 3 meses, quando deveria ter ficado 3 jogos. Mais: apenas a título “preventivo” (uma completa inovação, reitero) foram 12 jogos, ou seja, 9 jogos a mais do que a decisão condizente aos regulamentos.

Hulk retornou em 28 de março de 2010. O FC Porto venceu, com Hulk em campo, os seus 09 jogos oficiais que faltavam na temporada 2009/10. Somando-se essas 09 vitórias ao jogo de 24/03/2010 pela Taça de Portugal, perfazem as vitórias nos 10 últimos jogos da temporada 2009/10.

O treinador nestes 10 jogos era Jesualdo Ferreira, que esteve no FC Porto por 4 anos e foi 3 vezes campeão português, 2 vezes campeão da Taça de Portugal e 1 vez campeão da Supertaça Cândido de Oliveira.

O FC Porto mudou de treinador, veio o jovem André Villas-Boas para o lugar de Jesualdo Ferreira, mas não perdeu o ritmo vencedor e a invencibilidade.

Sob o comando de André Villas-Boas o FC Porto fez 24 jogos oficiais em 2010/11 – venceu 21 jogos (conquistando a Supertaça frente ao campeão da Liga dos Túneis, com vitória por 2x0) e empatou 3. São 58 gols marcados (média de 2,4 gols por jogo) e apenas 11 sofridos, com saldo positivo de 47 gols.

Após a vitória de 4x0 frente ao Juventude de Évora, que marcou a quebra do recorde de invencibilidade, André Villas-Boas fez questão de mencionar que o atual recorde não é obra apenas sua, tendo afirmado: "Este recorde deve-se em muito a Jesualdo Ferreira e ao que ele deixou aqui".

Foi um gesto de humildade e grandiosidade do treinador portista, sem a menor dúvida. E isto talvez incomode bastante aqueles que já tentam criar uma imagem deturpada do homem e do profissional – a dar-lhe uma carga negativa, afinal ele comete o crime imperdoável de vencer e fazer história a serviço do FC Porto.

Como portista, espero que este recorde de invencibilidade perdure por muito tempo. E que aos recordes juntem-se mais títulos ao final da época, para além da Supertaça já conquistada.

Todos os 34 jogos do atual recorde de invencibilidade:

2009/10:

Taça de Portugal 24/03/2010: Rio Ave 1x3 FC Porto

Liga 28/03/2010: Belenenses 0x3 FC Porto

Liga 03/04/2010: FC Porto 4x1 Marítimo

Liga 10/04/2010: Rio Ave 0x1 FC Porto

Taça de Portugal 14/04/2010: FC Porto 4x0 Rio Ave

Liga 18/04/2010: FC Porto 3x0 Guimarães

Liga 24/04/2010: Vitória de Setúbal 2x5 FC Porto

Liga 02/05/2010: FC Porto 3x1 Benfica

Liga 08/05/2010: União de Leiria 1x4 FC Porto

Taça de Portugal 16/05/2010: Desportivo de Chaves 1x2 FC Porto

2010/11:

Supertaça 07/08/2010: FC Porto 2x0 Benfica

Liga 14/08/10: Naval 0x1 FC Porto

Liga Europa: 19/08/2010: Genk 0x3 FC Porto

Liga 22/08/10: FC Porto 3x0 Beira-Mar

Liga Europa 26/08/10: FC Porto 4x2 Genk

Liga 29/08/10: Rio Ave 0x2 FC Porto

Liga 11/09/10: FC Porto 3x2 SC Braga

Liga Europa 16/09/10: FC Porto 3x0 Rapid Viena

Liga 20/09/10: Nacional 0x2 FC Porto

Liga 25/09/10: FC Porto 2x0 Olhanense

Liga Europa 30/09/10: CSKA Sófia 0x1 FC Porto

Liga 04/10/10: Guimarães 1x1 FC Porto

Taça de Portugal 16/10/10: FC Porto 4x1 Limianos

Liga Europa 21/10/10: Besiktas 1x3 FC Porto

Liga 25/10/10: FC Porto 5x1 União de Leiria

Liga 30/10/10: Académica 0x1 FC Porto

Liga Europa 04/11/10: FC Porto 1x1 Besiktas

Liga 07/11/10: FC Porto 5x0 Benfica

Liga 14/11/10: FC Porto 2x0 Portimonense

Taça de Portugal 21/11/10: Moreirense 0x1 FC Porto

Liga 27/11/10: Sporting 1x1 FC Porto

Liga Europa 02/12/10: Rapid Viena 1x3 FC Porto

Liga 06/12/2010: FC Porto 1x0 Vitória de Setúbal

Taça de Portugal 11/12/2010: FC Porto 4x0 Juventude de Évora

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

FC PORTO INVICTUS – O único clube invicto na Europa


Imbatível, nos dicionários, aparece como “invencível; que não pode ser batido ou vencido” ou “que não se pode vencer, invencível”. Imbatível é, portanto, sinônimo de invicto.

Começo o texto pela definição de imbatível para esclarecer aqueles que tenham certas dificuldades com bom uso da língua portuguesa, em especial alguns setores da comunicação social de Lisboa.

Talvez, para certas pessoas, o português, essa língua de origem latina, ainda seja um pouco complicado de se lidar, haja vista que durante a ocupação Moura a cidade de Lisboa, que então se chamava Al-Ushbuna, adotou o árabe como língua oficial.

Porventura, este deve ser o motivo para que os meios de comunicação social de Lisboa tenham afirmado, em êxtase, que “afinal o FC Porto não é imbatível”. E foram em duas ocasiões – após os empates do FC Porto em Guimarães e em Alvalade.

Empate, por muito que eles queiram ver o FC Porto perder, significa a ausência de um vencedor, que é o mesmo que dizer a inexistência de um perdedor.

Sei que a vontade é grande, mas ainda não mudaram as regras do futebol. A não ser que eles se baseiem em uma regra diferente, a saber: para este FC Porto demolidor e devastador da temporada 2010/11 empates passarão a ser tidos como derrotas (até confesso, com esta equipa que temos, empates contra adversários tão inferiores como Vitória de Guimarães e Sporting sabem-me mesmo a derrota, mas, tecnicamente, não o são).

Por isso, mesmo que a contragosto de alguns “mais a Sul”, o FC Porto versão André Villas-Boas continua invicto em jogos oficiais. É o único clube europeu que ainda não foi derrotado (ou batido, para não nos esquecermos do que significa ser imbatível) na temporada 2010/11.

O jogo de ontem, sob a nevasca de Viena, no saudoso e memorável Prater, em que o FC Porto bateu o Rapid por 1x3, foi a 22ª partida oficial dos dragões na época. Foi a 22ª vez que o FC Porto entrou em campo e saiu imbatível (sim, ainda somos imbatíveis, para desgosto de alguns).

Depois da piscina de Coimbra (na qual o FC Porto mostrou-se competente para vencer até mesmo em polo aquático), ontem foi a vez de um campo completamente tomado pelo branco da neve – e o FC Porto deu sinais de que também pode vencer em hóquei no gelo. Ou seja, por mais desfavoráveis que sejam as condições climáticas; o estado dos relvados; ou até mesmo árbitros que insistem em errar sempre a favor dos nossos opositores (como em Alvalade, por exemplo), este FC Porto tem demonstrado força suficiente para superar todas as adversidades.

Ao fim de 22 jogos oficiais, o FC Porto soma 19 vitórias e 3 empates – um admirável aproveitamento de 91% dos pontos disputados. São 53 gols marcados (média de 2,4 gols por partida) e apenas 11 gols sofridos, o que dá um saldo positivo de 42 gols.

A primeira partida oficial da temporada foi a decisão da Supertaça Cândido de Oliveira, na qual o FC Porto, bicampeão da Taça de Portugal, bateu o campeão da Liga (dos Túneis) por 2x0, em uma exibição de gala, onde os azuis brancos não tomaram conhecimento dos rivais.

E foi exatamente contra o seu maior rival que o FC Porto realizou, até o momento, a sua apresentação mais espetacular na temporada – uma goleada humilhante e esplendorosa de 5x0, que já entrou para a história dos confrontos e ficará para sempre marcada na memória de todos os portistas (sobre este jogo: http://emanuel-junior.blogspot.com/2010/11/fc-porto-5x0-benfica-uma-goleada-que.html).

Pela Liga Europa, o FC Porto também realizou uma prestação memorável, no chamado “inferno de Instambul”, frente ao Besiktas. Os portistas, mesmo com dois jogadores a menos, venceram por 1x3, com Hulk a ser aplaudido de pé pelos fanáticos torcedores turcos.

Na Liga, o FC Porto é líder absoluto, com 32 pontos em 36 disputados, oito pontos a mais que o segundo classificado; na Liga Europa, é líder do Grupo L, tendo assegurado a classificação para a fase seguinte com dois jogos de antecedência e o primeiro lugar do grupo a uma rodada do fim – 13 pontos em 15 disputados; na Taça de Portugal, está nas oitavas-de-finais, e no dia 11/12/2010 defrontará, no Estádio do Dragão, o Juventude de Évora.

Pois é, para deleite de todos os portistas, na Europa só há um clube “invictus” em 2010/11, e este clube é o FC Porto, que faz uma temporada, até o momento, formidável.

Abaixo, segue a relação dos 22 jogos oficiais – 19 vitórias e 3 empates – da corrente temporada.

Supertaça – 07/08/2010: FC Porto 2x0 Benfica

Liga - 14/08/10: Naval 0x1 FC Porto

Liga Europa – 19/08/2010: Genk 0x3 FC Porto
Liga 22/08/10: FC Porto 3x0 Beira-Mar
Liga Europa 26/08/10: FC Porto 4x2 Genk
Liga 29/08/10: Rio Ave 0x2 FC Porto
Liga 11/09/10: FC Porto 3x2 SC Braga
Liga Europa 16/09/10: FC Porto 3x0 Rapid Viena
Liga 20/09/10: Nacional 0x2 FC Porto
Liga 25/09/10: FC Porto 2x0 Olhanense
Liga Europa 30/09/10: CSKA Sófia 0x1 FC Porto
Liga 04/10/10: Guimarães 1x1 FC Porto
Taça de Portugal 16/10/10: FC Porto 4x1 Limianos
Liga Europa 21/10/10: Besiktas 1x3 FC Porto
Liga 25/10/10: FC Porto 5x1 União de Leiria
Liga 30/10/10: Académica 0x1 FC Porto
Liga Europa 04/11/10: FC Porto 1x1 Besiktas
Liga 07/11/10: FC Porto 5x0 Benfica
Liga 14/11/10: FC Porto 2x0 Portimonense
Taça de Portugal 21/11/10: Moreirense 0x1 FC Porto
Liga 27/11/10: Sporting 1x1 FC Porto
Liga Europa 02/12/10: Rapid Viena 1x3 FC Porto

domingo, 28 de novembro de 2010

Andreas Kisser, Sepultura, answers questions from the fans at the band's community

Andreas Kisser, Sepultura, answered some questions from the fans at the band’s community at Orkut.

The questions were selected at a specific topic to debate and promote the band forthcoming album, to be released in 2011.

Check out the answers, in Portuguese, at: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=88971&tid=5521865892840611353&na=2&nst=283

There are some interesting news such as who will produce the new album, a special participation, and Andreas stating: “the album will be brutal”.

Thanks!

Andreas Kisser responde a perguntas dos fãs na comunidade da banda no Orkut

Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, disponibilizou-se a responder perguntas dos fãs.

As perguntas foram selecionadas através da comunidade do Sepultura no Orkut, em tópico fixo específico para a discussão sobre o novo álbum da banda, a ser lançado em 2011.

As respostas poderão ser conferidas no tópico acima referido. Link: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=88971&tid=5521865892840611353&na=2&nst=283

Tem muita coisa interessante, como, por exemplo, o nome do produtor do álbum, a forte possibilidade de uma participação especial (e o nome do grupo já adiantado) e a afirmação do Andreas de que este álbum será brutal.

Confiram e comentem!

Grato.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Pontos corridos vs. “Mata-mata”: os sistemas de disputa à luz dos modelos desportivos e do Estatuto do Torcedor

O Campeonato Brasileiro de futebol adotou o sistema denominado de “pontos corridos” a partir da edição de 2003, que teve o Cruzeiro como campeão, com uma campanha até hoje inigualável – 100 pontos conquistados, aproveitamento de 72,4% (em termos de aproveitamento de pontos, o São Paulo chegou mais perto em 2006, com 68,42%).

A mudança do sistema sempre foi tema de muita discussão no Brasil – antes da alteração para os “pontos corridos” e até os dias de hoje, com a 8ª edição do Brasileirão em “pontos corridos” próxima do fim.

E neste fim de campeonato a discussão voltou à tona, trazida, evidentemente, por aqueles que sempre defenderam o sistema antigo – “mata-mata”.

A desculpa da vez (ou a justificativa que os defensores dos “mata-mata” dão) é a desconfiança de que alguns clubes “entregaram” e ainda vão “entregar” os jogo a seus adversários, a fim de prejudicar (ou não beneficiar diretamente) os seus rivais estaduais.

É, sem dúvida, um tema a ser discutido amplamente, a fim de se evitar a fraude às competições desportivas. Contudo, por não ser o foco da presente análise, não me aprofundarei neste quesito.

De qualquer modo, não entendo que essa questão seja realmente determinante para se contestar a fórmula de sistema dos “pontos corridos”. Portanto, não vejo que a solução deste problema passe pela mudança do sistema de competição, com o retorno aos “mata-mata”.

Após essa introdução, passo a me posicionar sobre qual o meu sistema preferido – “pontos corridos” ou “mata-mata”?

Eu sempre fui e continuo a ser favorável aos “pontos corridos”, pois vejo neste modelo a primazia à organização e ao planejamento; premiação ao mérito de quem traça um planejamento em busca da regularidade.

O sistema de “pontos corridos” é, a meu ver, o que mais respeita a meritocracia, na medida em que permite ao clube mais regular (aquele que trabalha arduamente ao longo de todo o campeonato) ter maior probabilidade de se sagrar campeão.

Ao passo que, em contrapartida, o sistema de “mata-mata” é mais suscetível a distorções como um clube menos organizado e com uma campanha menos regular – muitas das vezes medíocre – possa, a partir de dada altura da competição, ainda almejar o título.

É importante esclarecer que me refiro a campeonatos nacionais, certames que, a princípio, pressupõem-se de longa duração. Não estou aqui questionando as copas e os torneios de tiro-curto (por exemplo, Copa do Brasil). Não confundir campeonatos com copas é extremamente essencial.

Feito o esclarecimento, avanço à critica aos campeonatos nacionais de ”mata-mata”.

Uma das coisas que mais me incomodavam em um campeonato brasileiro neste formato, era ver um clube que fez campanha medíocre na primeira fase, classificando-se em 8º apenas na última rodada, ter chances de ser campeão.

E não precisamos recuar muito no tempo para encontrarmos um exemplo desta distorção competitiva.

Em 2002, o último Brasileirão com “mata-mata”, o Santos foi campeão brasileiro após ficar em 8º lugar (classificação alcançada apenas na última rodada) com 39 pontos (medíocre campanha em que a soma de empates e derrotas – 14 – foi maior que a de vitórias – 11). O Santos, logo na primeira fase do “mata-mata”, eliminou o São Paulo, líder absoluto da primeira fase (em que todos os clubes se enfrentavam) com 52 pontos – 13 (!!!) á frente do Santos; 5 do 2º colocado, São Caetano; e 9 (!!!) à frente do 3º, Corinthians.

O São Paulo teve um aproveitamento de 69,33% dos pontos (mais do que qualquer campeão brasileiro dos “pontos corridos”, exceção feita ao Cruzeiro em 2003, como já foi dito no começo do texto).

Mas o São Paulo não foi campeão. Por culpa do regulamento de “mata-mata” que permitia esse tipo de distorções. O campeão foi o Santos, de campanha medíocre na primeira fase, com os mesmos 39 pontos do 9º colocado (e eliminado) Cruzeiro.

É por evitar esse tipo de injustiças e objetivando dar-se mérito aos que se organizam e têm uma regularidade ao longo da competição de longa duração, que sou favorável aos “pontos corridos” em um campeonato nacional, como o Brasileirão.

Creio que a improbabilidade e “emoção” do “mata-mata” deve ficar restrito às copas ou torneios de tiro-curto (com menos datas), como é a Copa do Brasil – torneio que, inclusive, presta bem esse serviço de permitir a um clube menor chegar a um título nacional, a exemplos de Paulista e Santo André.

Modelos desportivos: EUA vs. Europa (e o Brasil?)

Em meio ao debate “pontos corridos vs. mata-mata” é recorrente o surgimento de argumentos do gênero – “nos EUA, onde o esporte é tratado como um negócio lucrativo, os torneios são decididos em “mata-mata”.

É uma falácia, pois parte de um falso argumento – o de que apenas nos EUA o esporte é um negócio lucrativo.

E para provar este ponto, basta citarmos a Premier League inglesa, maior liga de futebol do Mundo (em faturamento) e que, recentemente, chegou ao posto de 3ª maior liga desportiva do planeta, ultrapassando a tão badalada NBA.

Ultrapassada à falácia do “negócio lucrativo”, temos que enfrentar um outro ponto, este sim mais importante – o modelo desportivo.

Os EUA têm um modelo desportivo bastante peculiar, completamente distinto do europeu (e, também, do brasileiro). São inúmeras as diferenças e posso citar algumas: relação com o poder público; estrutura; forma de competições; e objetivos.

a) Relação com o poder público:

Nos EUA o modelo é totalmente privado, sem qualquer interferência do poder público.

Enquanto na Europa, seja em países como Itália, Espanha e Portugal (com maior intervenção pública) ou em países como Inglaterra e Alemanha (com maior abstencionismo estatal), há uma relação mais estreita com o poder público, que intervém na organização “jurídico-desportiva”.

Nesse quesito, o Brasil se assemelha ao modelo europeu, com a intervenção público na esfera desportiva, como podemos verificar em leis como a Lei Pelé ou o Estatuto do Torcedor e, também, em programas como o da Timemania.

b) Estrutura:

O modelo desportivo dos EUA não valoriza competições internacionais (é comum eles denominarem seus campeões nacionais de “World Champions”) e possui pouca relação com as federações internacionais. É a chamada estrutura horizontal.

Na Europa, por sua vez, o corpo diretivo é monopolizado, juridicamente, pelas Federações Nacionais, com vinculações às Federações Internacionais. É a estrutura piramidal.

No Brasil, e mais especificamente no futebol, temos as Federações Estaduais (FPF/PE ou FPF/SP, por ex.), que são ligadas à Federação Nacional (CBF), a qual, por seu turno, está vinculada diretamente a uma Federação Internacional (FIFA).

Portanto, em mais um ponto, vemos que o modelo brasileiro é muito semelhante ao europeu.

c) Forma de Competições:

As competições dos EUA são fechadas e sem mobilidade, não havendo a previsão de ascenso ou descenso e, por isso, tendo regularmente a participação das mesmas agremiações que adquirem o direito de participação através das franquias. Não existe, portanto, ascensão ou rebaixamento – uma equipe pode ser a última classificada da competição e continuará a disputa-la no ano seguinte. É o sistema horizontal.

O modelo europeu encontra seus pressupostos no mérito desportivo, quero dizer, na obtenção dos resultados desportivos em uma competição a fim de se ascender ou descender, bem como de se obter classificação a uma competição internacional.

As competições ocorrem simultaneamente, e um clube pode ser campeão ou chegar a uma competição internacional, como, ao mesmo tempo, corre o risco de ser rebaixado; enquanto que um clube de divisão hierárquica inferior, pode ascender através de suas conquistas desportivas e, um dia, almejar chegar a uma competição internacional. É o sistema vertical.

A forma de competição brasileira é idêntica à europeia. Temos divisões hierárquicas no futebol brasileiro – tanto a nível nacional quanto estadual – e as competições nacionais permitem aos clubes participantes chegarem a competições internacionais (Campeonato Brasileiro da Série A e Copa do Brasil dão acesso à Copa Libertadores, por exemplos, que, por sua vez, dá vaga no Mundial Interclubes).

E é nesse ponto que nos diferenciamos e distanciamos mais do modelo desportivo dos EUA. Nós (assim como os europeus) primamos pela mobilidade – a possibilidade de ascensão hierárquica. Já os EUA têm uma forma mais elitista – fechada em si mesma, com a única possibilidade de inserção encontrada através de aquisição de franquia (ou seja, a venda de um espaço na competição).

O nosso formato é, no meu entendimento, muito mais democrático, ao ser aberto e interdependente, permitindo a mobilidade.

Por mais que essa mobilidade possa incomodar a alguns setores mais elitistas brasileiros e a um certo grupo de clubes (que por anos se acostumou a viradas de mesa que feriam, diretamente, a competitividade e o espírito esportivo baseado no mérito da obtenção de resultados desportivos), é este o nosso formato de competição. Com o qual concordo plenamente.

d) Objetivos:

Nos EUA, os objetivos econômicos ou a busca pelo lucro estão claramente acima dos objetivos desportivos. Lá as competições são tratadas, antes de qualquer coisa, como um negócio.

Na Europa, o objetivo é desportivo – a busca por vitórias e títulos. O sucesso desportivo (ganhar jogos, ser campeão) está acima do sucesso econômico. O lucro é importante, mas o lado desportivo prepondera sobre o econômico.

Verificamos, portanto, que os objetivos das competições na Europa são os mesmo do Brasil. A nossa lógica desportiva é pela primazia das vitórias e dos títulos e não a preferência pelo lucro.

Então, ante o exposto, concluo que se temos um modelo desportivo semelhante ao europeu; se temos uma estrutura vertical (como na Europa) e vemos o futebol sob a lógica da mobilidade (através da obtenção dos resultados desportivos) e da primazia pelas conquistas desportivas (vitórias e títulos) e não pelo lucro (econômico), nada mais racional e natural adotarmos o sistema de competição que é bem sucedido na Europa, ou seja, o sistema de “pontos corridos”.

Na minha forma de ver e entender as coisas, seria extremamente insensato adotarmos um sistema de competição baseado em um modelo (e, mais do que isso, toda a lógica) desportivo tão diferente do nosso.

É por isso que me é tão natural aceitar os “pontos corridos” como o sistema de disputa, posto que nós (Brasil) temos uma cultura de modelo desportivo que encontra suas fundações mais profundas na lógica da obtenção dos resultados desportivos, e os “pontos corridos”, ao meu ver, prima pelo reconhecimento ao mérito desportivo – a preponderância do trabalho árduo e regular ao longo de toda a competição.

Estatuto do Torcedor

O Estatuto do Torcedor, Lei Federal 10.671/2003 (com alterações dadas pela Lei 12.299/2010), tem por escopo a moralização do futebol brasileiro, visando à proteção do torcedor enquanto cidadão e consumidor – garantias de respeito aos regulamentos (objetivos desportivos); segurança e comodidade nas praças desportivas; etc..

Anteriormente, no ponto em que analisamos os modelos desportivos, referenciamos que o modelo brasileiro segue o europeu no sentido de haver uma relação em que o poder público intervém na ordem jurídico-desportiva a fim de garantir a organização do desporto.

Pois bem, estamos diante de um exemplo inequívoco de ingerência do poder público no desporto nacional. O nosso Legislativo percebeu a necessidade de intervir no desporto nacional em questões como os regulamentos das competições e a segurança dos torcedores - e Estatuto do Torcedor é fruto desta intervenção do poder público. Intervenção necessária e muito bem vinda, diga-se de passagem.

Acontece, entretanto, que em muitas discussões sobre futebol vemos o completo esquecimento da lei que “estabelece normas de proteção e defesa do torcedor” (art, 1º do referido Estatuto).

Infelizmente, neste debate entre “pontos corridos e mata-mata” a situação não é diferente. As pessoas insistem em discutir o assunto sem sequer mencionarem a existência de tal previsão legal.

Vejo até programas televisivos perderem horas e mais horas a discutir, com vários comentaristas e analistas, o assunto, esquecendo-se de referir algo extremamente importante: o Estatuto do Torcedor determina que haja uma competição de “pontos corridos”.

Sei que se basear no Estatuto do Torcedor é praticamente entrar em uma discussão teórica, haja vista o quanto esta lei é desrespeitada em todas as esferas do desporto nacional, especialmente no futebol – recentemente abordei a questão das vagas brasileiras na Libertadores, o G4 que pode virar G3 se o Goiás for campeão da Copa Sul-Americana (http://emanuel-junior.blogspot.com/2010/11/as-vagas-brasileiras-na-libertadores-e.html).

Contudo, mantenha a minha insistência de respeitar a lei, até por considerar que o torcedor deve ter noção dos seus direitos e deveria buscar sempre os meios necessários a fim de reivindicá-los e de os fazer valer.

Portanto, se querem discutir uma nova mudança na fórmula de disputa, os defensores do retorno aos “mata-mata” têm que se articular para o Estatuto do Torcedor sofra uma nova alteração, a fim de que se flexibilize esse ponto na lei.

Vejamos o que diz o texto da lei, ipsis litteris:

Art. 8º. As competições de atletas profissionais de que participem entidades integrantes da organização desportiva do País deverão ser promovidas de acordo com calendário anual de eventos oficiais que:

(...)

II – adote, em pelo menos uma competição de âmbito nacional, sistema de disputa em que as equipes participantes conheçam, previamente ao seu início, a quantidade de partidas que disputarão, bem como seus adversários.

Embora a lei não fale diretamente que a fórmula de disputa deve ser de “pontos corridos”, esse entendimento é de fácil elucidação, bastando para tal uma interpretação simples da imposição legal. O inciso II do art. 8º da lei fala em:

1. Competição nacional.

2. Sistema de disputa em que as equipes participantes saibam previamente:

a) Quantidade de partidas que disputarão.

b) Os seus adversários.

Ora, em qual sistema de disputa é possível aos clubes saberem previamente quantas partidas realizarão e quais serão todos os seus adversários?

Pensem bem. Isto seria possível em um sistema de disputa de “mata-mata”? Evidente que não.

Em uma Copa do Brasil, por exemplo, um clube sabe que poderá disputar de X a Y partidas; e que poderá enfrentar o adversário A, B, C, G, H ou I, a depender dos resultados.

Nos campeonatos brasileiros que eram disputados no sistema de “mata-mata”, um clube começava a competição sabendo que disputaria X partidas, mas que esse número poderia ser maior se se classificasse para a fase seguinte (ou, eventualmente, houvesse alguma repescagem ou coisa do gênero, como já ocorreu em alguns regulamentos). Contudo, jamais poderia prever quais seriam os adversários nas fases de “mata-mata” ou mesmo precisar o número de jogos a disputar ao longo da competição.

Apenas um campeonato de “pontos corridos” permite a todos os clubes participantes saber, previamente, quantos jogos disputarão e quais serão os seus adversários.

Qual o sistema que dá aos clubes uma maior possibilidade de planejamento (tanto desportivo quanto a nível financeiro – vendas de lugares anuais, promoções de marketing, etc.) aos clubes, o de “pontos corridos” ou de “mata-mata”?

A resposta é óbvia: “pontos corridos”.

Foi neste sentido, acredito, que o legisladores pátrios procuraram orientar e organizar o nosso ordenamento jurídico-desportivo: garantir a todos os clubes uma maior estabilidade e segurança, ao passo que lhes concedem garantias prévias de planejamento, a fim de obterem, através de competência na gestão desportiva, os maiores proveitos desportivos e financeiros.

E é aí se encontra o mais forte argumento que me faz ser favorável aos “pontos corridos”, a já mencionada nos primeiros parágrafos do texto primazia ao planejamento e à organização dos clubes.

Conclusão:

Pode-se afirmar que para retornar ao sistema de “mata-mata” é necessária uma alteração no Estatuto do Torcedor, tornando, portando, toda a discussão atual inócua se não se atentar, antes de tudo, a esta limitação legal.

Além da questão legal, é preciso lembrar que o sistema de disputa de “pontos corridos” está em concordância com toda a lógica da organização jurídico-desportiva nacional, que adota em todas as esferas desportivas, futebol incluído, o modelo desportivo europeu, no qual se preponderam os resultados desportivos e um sistema mais democrático em que se prima pela mobilidade hierárquica dos clubes em detrimento de um sistema elitista, que prioriza o poder financeiro em detrimento dos resultados e das conquistas desportivas.

Concluindo, é preciso ter em mente que os “pontos corridos” não são uma imposição legal.

É necessário, sempre, compreender que a lei (Estatuto do Torcedor) existe dentro de uma lógica – os “pontos corridos” são a consequência natural de um modelo desportivo adotado nacionalmente. É a racionalidade e a lógica acima do contrassenso.

sábado, 20 de novembro de 2010

Futebol: direitos televisivos e a distribuição destes recursos – Brasil, Inglaterra, Alemanha, Itália e Espanha


Recentemente li um artigo de Santiago Segurola, diretor adjunto do jornal desportivo espanhol Marca e que escreve no Diário de Notícias (Portugal) sobre a Liga Espanhola de futebol, no qual abordava a questão dos direitos televisivos de La Liga.

O artigo logo em seu título demonstra a preocupação do autor com a atual forma como são tratados os direitos televisivos na Espanha – “Liga espanhola está condenada à destruição” (http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1700710&seccao=Santiago%20Segurola).

Este assunto (comercialização dos direitos televisivos e a distribuição dos recursos advindos destes contratos) muito me interessa. Não por acaso, na altura da conclusão do curso de Bacharelado em Direito, Universidade Católica de Pernambuco, eu me dediquei ao estudo da realidade brasileira, com foco no “Brasileirão”, culminando com a monografia intitulada “A divisão das cotas de televisão do campeonato brasileiro de futebol à luz do princípio da igualdade”.

Tanto na minha monografia, como em um artigo publicado e apresentado no IV Salesius, evento organizado pela Faculdade Salesiana do Nordeste (uma adaptação do artigo pode ser conferida em http://emanuel-junior.blogspot.com/2009/05/as-cotas-de-tv-do-brasileirao-e-o.html), eu fiz uma comparação entre a realidade do futebol brasileiro e as 3 maiores ligas em faturamento da Europa – Premier League (Inglaterra), Serie A (Itália) e Bundesliga (Alemanha).

Você pode perguntar – por qual motivo La Liga (Espanha) ficou de fora do seu estudo?

A resposta é simples: as negociações na Espanha são individuais e não coletivas, como acontece no Brasil e nas outras três grandes ligas europeias. Já que eu iria analisar a injusta e excludente divisão dos recursos no futebol brasileiro, eu procurei usar como parâmetro as ligas europeias que tivessem sistemas de negociação semelhantes ao nosso.

São exatamente essas negociações individuais que preocupam Santiago Segurola, na medida em que o jornalista espanhol demonstra atenção e cuidado para algo tão importante no desporto, mas que, nestes dias de futebol-negócio, ficou um pouco esquecida – a competitividade.

Na Espanha, Real Madrid e Barcelona, segundo Santiago Segurola, cobram 120 milhões de euros pelos seus contratos com a empresa Mediapro. O terceiro colocado neste ranking é o Valencia, que recebe 44 milhões de euros – isso mesmo, praticamente 3 vezes menos que a dupla de ferro. Logo em seguida vem o Atlético de Madrid, com 42 milhões de euros. Clubes tradicionais como Athletic Bilbao e Sevilha recebem cerca de 20 milhões de euros – ou seja, 6 vezes menos que os principais clubes do país. Estes contratos durarão até 2015.

Não por acaso, nos últimos 15 anos, apenas em 4 ocasiões o campeão espanhol não foi Real Madrid ou Barcelona – Atlético de Madrid (1995/96), Deportivo La Coruña (1999/2000), Valencia (2001/02, 2003/04).

Nos últimos seis campeonatos, o título ficou dividido entre Barcelona (4 vezes) e Real Madrid (2). Neste mesmo período, apenas uma vez a dupla de ferro não ficou com as duas primeiras colocações – foi em 2007/08, com o Villareal sendo vice-campeão, perdendo o título para o Real Madrir; o Barcelona ficou em 3º.

Em 2009/10, o Barcelona foi campeão com 99 pontos dos 114 disputados; ficou 3 pontos à frente do Real Madrid, com 96. Pode-se dizer que as duas vitórias no confronto direto foi determinante para o título blaugrana.

Na atual temporada, assiste-se a mais uma disputa bipolarizada entre Real Madrid e Barcelona pelo título, ambos disparando nos dois primeiros lugares da competição, relegando aos demais clubes a briga pelas 3ª e 4ª colocações, que concedem vagas na Champions League.

Portanto, o que se evidencia é que La Liga – autodenominada “a liga das estrelas” – poderia muito bem se resumir a dois jogos: Barcelona x Real Madrid, no Camp Nou; Real Madrid x Barcelona, no Santiago Bernabéu.

Não restam dúvidas de que isso é fruto da imensa desigualdade na negociação dos direitos televisivos.

Como é que, por exemplo, o tradicional Athletic Bilbao, 8 vezes campeão espanhol, 24 vezes campeão da Copa do Rei e que nunca foi rebaixado à segunda divisão espanhola (sobre o Athletic Bilbao - http://emanuel-junior.blogspot.com/2009/07/athletic-bilbao-o-icone-de-um-povo.html), poderá ser competitivo se recebe seis vezes menos que os outros dois clubes que também nunca desceram de divisão, Real Madrid e Barcelona (20 milhões vs. 120 milhões)? É impossível! O último título nacional dos bascos foi em 1983/84, ano glorioso em que conquistou o bicampeonato espanhol e o doblete (Liga e Copa do Rei). Lá se vão quase 27 anos.

Da mesma forma, a balança do derby madrileno estará sempre desequilibrada para o lado branco – afinal, como é que o Atlético de Madrid poderá competir com seu rival se recebe três vezes menos que ele (42 milhões vs. 120 milhões)? Salvo vitórias pontuais, é impossível ao Atlético se opor ao rival de forma efetiva – não à toa, há 15 anos que os colchoneros não são campeões espanhóis.

Na Itália, desde 1999 os clubes eram livres para negociar os direitos de televisão individualmente (da mesma forma como é na Espanha). Entretanto, esta liberdade já tem data para terminar: temporada 2010/11.

Preocupado com o desequilíbrio orçamentário entre os clubes da Serie A, o Ministério do Esporte italiano determinou que as cotas de televisão voltassem a ser negociadas coletivamente.

Em janeiro de 2007, a autoridade antitruste da Itália recomendou, em um relatório de 170 páginas, que o sistema de negociação coletiva fosse utilizado novamente para garantir mais competitividade.

Ou seja, assim como acontece atualmente na Espanha, havia um desequilíbrio para o lado dos grandes clubes italianos – Inter, Milan e Juventus. Ao negociarem os seus direitos individualmente, estes três acabavam por concentrar grande parte dos recursos, prejudicando, assim, os demais clubes da Serie A e, por conseguinte, a competitividade.

Foi necessária uma intervenção estatal, via Ministério do Esporte, para que se procurasse um modelo de negociação coletiva com regras estabelecidas para uma divisão mais equânime destes recursos, que passará a ser da seguinte forma:

1. 40%: dividido igualmente entre todos.

2. 30%: de acordo com o desempenho no campeonato anterior (mérito desportivo).

3. 30%: baseado no tamanho da torcida.

Na Premier League (Inglaterra), liga de futebol de maior faturamento no Mundo, a negociação é coletiva e a divisão também é dividida em três partes:

1. 56% divididos igualitariamente entre todos os clubes.

2. 22% baseados na classificação final da temporada anterior.

3. 22% variáveis de acordo com o número de jogos transmitidos na televisão.

Esse modelo permitiu, por exemplo, que o Manchester United, campeão em 2008/09, tenha recebido 66 milhões de euros, enquanto que o Middlesbrough, penúltimo colocado, tenha encaixado 40 milhões (praticamente o mesmo valor que receberam os espanhóis Valencia e Atlético de Madrid).

Na Alemanha a negociação já é coletiva e a divisão é feita de modo quase que de igualdade absoluta. Fato que gera críticas por parte do todo poderoso Bayern de Munique, que se sente prejudicado diante de seus adversários europeus na Champions League.

Chegando à realidade brasileira, podemos afirmar que as negociações são coletivas (os direitos televisivos são vendidos de forma integral – o campeonato como um todo), porém a distribuição dos recursos não segue o modelo inglês e o futuro modelo italiano, que respeitam a Isonomia e, consequentemente, buscam uma divisão o equânime, através de critérios racionais pré-estabelecidos.

O que ocorre no Brasil é a concentração dos recursos nas mãos de uma entidade privada – Clube dos Treze – que distribui o dinheiro de acordo com os seus interesses próprios, dando primazia aos seus filiados, criando, inclusive, dentre os seus próprios filiados grupos distintos (como se fossem castas).

O Clube dos Treze é o responsável pelas negociações dos direitos de transmissão do campeonato brasileiro. Bem como é o Clube dos Treze que divide e distribui os recursos provenientes dessas negociações.

Ao repartir os recursos entre os clubes participantes do campeonato brasileiro, o Clube dos Treze age sem critérios de equidade, priorizando os seus associados em detrimento das demais associações esportivas as quais não fazem parte de seu seleto grupo.

Atualmente as chamadas “cotas de televisão” estão distribuídas de acordo com os seguintes grupos (valores referentes à cota fixa de televisão aberta:

Grupo I: R$21 milhões – São Paulo, Flamengo, Corinthians, Palmeiras e Vasco.

Grupo II: R$18 milhões – Santos.

Grupo III: R$15 milhões – Atlético-MG, Cruzeiro, Internacional, Grêmio, Botafogo e Fluminense.

Grupo IV: R$11 milhões – Goiás, Guarani, Vitória, Atlético-PR.

Grupo V: R$5,5 milhões – Sport, Coritiba*.

Grupo VI: R$3,45 milhões – Bahia, Portuguesa**.

Grupo VII: “Convidados” – Avaí, Grêmio Prudente, Ceará, Atlético-GO***

*Sport e Coritiba, por estarem na Série B em 2009, recebem 50% do valor. Por isso ambos tiveram direito a R$5,5 milhões.

**Bahia e Portuguesa, por estarem na Série B há mais tempo, recebem uma cota menor.

***Como de costume, os clubes “excluídos” têm que negociar individualmente a sua migalha na divisão do bolo:

Ceará – R$6,4 milhões

Atlético-GO – R$3,4 milhões

Grêmio Prudente – R$3,4 milhões

Avaí – R$6 milhões

A situação brasileira em muito se assemelha a uma oligarquia, sistema de governo que contraria diametralmente a democracia, na medida em que cria um seleto grupo de privilegiados.

Foi a esta realidade que, em analogia ao que Cristovam Buarque denomina de “apartheid social”, conclui que o futebol brasileiro vive um “apartheid futebolístico”: a segmentação entre clubes “incluídos” e “excluídos”, contribuindo para o engessamento da mobilidade entre os clubes, com a tendência de os “grandes” se tornarem sempre maiores e os “pequenos” se tornarem, gradativamente, menores; ficando condenados à marginalidade do futebol nacional. É o fosso intransponível separador de “incluídos” e “excluídos”.

No Brasil, ao contrário da Espanha em que o fosso é cavado por conta das negociações individuais, o abismo que separa um grupo de privilegiados de todos os outros clubes nacionais é a injusta divisão dos recursos dos direitos televisivos.

Se as negociações são coletivas, como na Inglaterra, Itália ou Alemanha, deveria haver uma divisão mais justa, que respeitasse critérios racionais e razoáveis, como nos casos inglês e italiano.

Contudo, embora os modelos de negociações seja diferentes (Brasil – coletivo; Espanha – individual), há algo em comum: o fosso que separa os grupos privilegiados (C13 – Brasil; Real Madrid e Barcelona – Espanha) gera um desequilíbrio intransponível, matando por completo a competitividade, aquilo que é a essência do esporte.

Se na Espanha (por conta das negociações individuais) é extremamente complicado um clube se opor à dupla Real Madrid e Barcelona, no Brasil é impossível um clube “excluído” poder competir contra clubes “incluídos”, principalmente aqueles da “alta casta” do Clube dos Treze, os que recebem mais dinheiro do que seus próprios consórcios.

Em 2010, no Campeonato Brasileiro da Série A, 16 dos 20 participantes são membros do Clube dos Treze (“incluídos”) e 4 são “excluídos”. Na Série B os números se invertem – 16 “excluídos” e 4 “incluídos”.

Com o modelo atual de divisão das cotas e com o privilégio dado aos membros do Clube dos Treze que, mesmo na Série B, recebem um percentual do que receberiam se estivessem na Série A, não é de se estranhar que:

1. Dos 4 “excluídos”, apenas o Ceará garantiu permanência na Série A 2011.

2. 2 “excluídos” se encontram na zona de rebaixamento para a Série B 2011.

3. Dos 3 clubes da Série B que já garantiram o acesso à Série A 2011, 2 são “incluídos” (Coritiba e Bahia).

4. Os outros 2 “incluídos” da Série B ainda estão na briga pela última vaga de acesso à Série A (Sport e Portuguesa).

Os números falam por si e posso afirmar que enquanto na Espanha houver negociações individuais, Real Madrid e Barcelona continuarão a bipolarizar a liga nacional e, com o passar do tempo, aumentarão ainda mais a distância que os separa dos outros clubes.

Em relação ao Brasil, enquanto uma associação privada, que defende os interesses de seus associados, continuar a negociar aquilo que não lhe pertence (direitos de imagem dos clubes que não são associados ao C13 e participam da Série A) e a dividir os recursos de forma indiscriminada e sem regulamentação, a tendência inevitável é do aprofundamento do “apartheid futebolístico”, ampliando a exclusão de todos os clubes nacionais em detrimento de um grupo de 20 clubes.