segunda-feira, 11 de maio de 2009

F.C. PORTO TETRACAMPEÃO PORTUGUÊS


F.C. PORTO TETRACAMPEÃO PORTUGUÊS

O FC Porto conquistou ontem, com duas rodadas de antecipação, o tetracampeonato português. O segundo tetra de sua história, 11 anos após o primeiro ganho em 1998 (sendo que em 1999 o FC Porto se sagrou pentacampeão, recorde em títulos consecutivos até hoje em Portugal).

Líder com 66 pontos conquistados em 28 jogos, o FC Porto tem uma campanha irrepreensível: 20 vitórias, 6 empates e apenas 2 derrotas. Some-se a isso o melhor ataque com 56 gols marcados (média de 2 gols por jogo) e a melhor defesa com 16 gols sofridos (média de 0,57 gol por jogo).

Este tetracampeonato consolida a hegemonia do FC Porto em Portugal. Nos últimos 25 anos o FC Porto tem sido o senhor do futebol português, com supremacia e superioridade invejáveis (acreditem, literalmente de causar inveja nos rivais). Pegue o parâmetro que quiser e verá o passeio do “Dragão”.

Nos últimos:

- 25 campeonatos: 17 títulos.
- 20 campeonatos: 14 títulos.
- 15 campeonatos: 11 títulos.
- 07 campeonatos: 06 títulos.

Registre-se que nos últimos 15 anos o FC Porto foi pentacampeão (1995 a 1999), bicampeão (2003 e 2004) e agora é tetracampeão (2006 a 2009). Nos últimos 25 anos, além de 17 títulos, o FC Porto foi vice-campeão 7 vezes, sempre perdendo o título na última rodada do campeonato.

Todos os títulos do FC Porto nos últimos 25 anos:

1984/85, 1985/86, 1987/88, 1989/90, 1991/92, 1992/93, 1994/95, 1995/96, 1996/97, 1997/98, 1998/99, 2002/03, 2003/04, 2005/06, 2006/07, 2007/08, 2008/09...

Não há como negar: o FC Porto é o senhor de Portugal. Supremo. Hegemônico. Sinônimo de campeão.

JESUALDO FERREIRA O PRIMEIRO TREINADOR PORTUGUÊS A SER “TRICAMPEÃO”


Quando assumiu o comando da equipe técnica do FC Porto na temporada 2006/07, Jesualdo Ferreira nunca havia conquistado um título em sua carreira de treinador.

Hoje, três anos depois, celebra o seu tricampeonato pessoal (o primeiro título da campanha do tetra foi sob o comando do holandês Co Adriaanse).

Jesualdo Ferreira é, assim, o primeiro treinador português a conquistar três títulos nacionais consecutivos. É, também, o primeiro treinador a conquistar três títulos consecutivos com o FC Porto (antes o Artur Jorge havia conquistado três títulos, mas não foram consecutivos).

Lista de todos os treinadores campeões nacionais com o FC Porto:

1934 -1935 - JOSEPH SZABO
1938 -1939 - MIGUEL SISKA
1939 -1940 - MIGUEL SISKA
1955 -1956 - YUSTRICHT
1958 -1959 - BELLA GUTMANN
1977 -1978 - JOSÉ MARIA PEDROTO
1978 -1979 - JOSÉ MARIA PEDROTO
1984 -1985 - ARTUR JORGE
1985 -1986 - ARTUR JORGE
1987 -1988 - TOMISLAV IVIC
1989 -1990 - ARTUR JORGE
1991 -1992 - CARLOS ALBERTO SILVA
1992 -1993 - CARLOS ALBERTO SILVA
1994 -1995 - BOBBY ROBSON
1995 -1996 - BOBBY ROBSON
1996 -1997 - ANTÓNIO OLIVEIRA
1997 -1998 - ANTÓNIO OLIVEIRA
1998 -1999 - FERNANDO SANTOS
2002 -2003 - JOSÉ MOURINHO
2003 -2004 - JOSÉ MOURINHO
2005 -2006 - CO ADRIAANSE
2006 -2007 - JESUALDO FERREIRA
2007 -2008 - JESUALDO FERREIRA
2008 -2009 - JESUALDO FERREIRA



JORGE NUNO PINTO DA COSTA: O MAIOR PRESIDENTE DE TODOS OS TEMPOS


Quando o Sr. Pinto da Costa assumiu a presidência do FC Porto em abril de 1982, o clube portuense era apenas a terceira força do futebol português.

Hoje, passados 27 anos, o FC Porto é o melhor e mais bem estruturado clube português; hegemônico em Portugal; um dos melhores clubes da Europa.

O Sr. Pinto da Costa é o homem responsável por levar o FC Porto ao patamar mais elevado do futebol mundial. Que fez deste clube um orgulho a todos os seus adeptos e o maior de Portugal.

De clube com abrangência regional, o FC Porto passou a maior clube português, com destaque mundial.

Em abril de 1982 o FC Porto tinha em seu palmares 7 títulos nacionais, 4 Taças de Portugal e 1 Supertaça “Cândido de Oliveira”.

Hoje, maio de 2009, 27 temporadas praticamente completadas, o FC Porto tem 2 títulos Mundiais, 2 títulos da Europa, 1 Taça UEFA, 1 Supertaça Europeia, 24 campeonatos nacionais, 13 Taças de Portugal* e 15 Supertaças “Cândido de Oliveira”.

Em 27 campeonatos portugueses sob a presidência de Pinto da Costa, o FC Porto foi campeão 17 vezes.

Pinto da Costa é, hoje, o presidente com mais títulos nacionais conquistados. Até ontem ele dividia o posto com o lendário Santiago Bernabéu, que, em 35 anos, conquistara 16 campeonatos espanhóis com o Real Madrid.

Pinto da Costa não se limita a ultrapassar Bernabéu apenas em números brutos (17x16), o presidente do FC Porto apresenta uma média de aproveitamento muito superior (17 em 27 x 16 em 35).

Além dos 17 títulos nacionais, Pinto da Costa acumula em 27 anos de presidência 46 títulos à frente do FC Porto.

O FC Porto é, atualmente, o clube com maior número de títulos no Século XXI. São 16 trófeus: 6 campeonatos, 3 Taças de Portugal*, 4 Supertaças “Cândido de Oliveira”, 1 Liga dos Campeões, 1 Taça UEFA e 1 “Mundial” interclubes.

*E estes números podem aumentar, pois o FC Porto enfrentará o Paços de Ferreira na final da Taça de Portugal. Podendo, assim, conquistar mais uma “dobradinha” em sua história e, desta forma, somar 14 conquistas na Taça de Portugal (que seria a 10ª de Pinto da Costa ou a 4ª no Séc. XXI).

Não é por acaso que os portistas cantam com orgulho: “Pinto da Costa olé, Pinto da Costa olé, Pinto da Costa olé, Pinto da Costa olé, olé”.

Neste momento de festa e celebração, fica o registro e a homenagem ao maior responsável por este FC Porto GIGANTE e CAMPEÃO.

terça-feira, 5 de maio de 2009

As Cotas de TV do “Brasileirão” e o “Apartheid Futebolístico”

No próximo sábado, 09 de maio de 2009, inicia-se mais um Campeonato Brasileiro de Futebol da Série A. Como tem sido habitual ano após ano, sempre que se aproxima do começo da competição surgem protestos de torcedores descontentes com a forma como é feita a distribuição dos recursos advindos dos contratos de direito de transmissão do referido campeonato.

Diante da importância do tema e da falta de um estudo mais detalhado a respeito, dediquei parte do segundo semestre de 2008 na elaboração de um trabalho mais aprofundado na análise da questão.

Este estudo resultou em minha monografia no curso de Direito pela Universidade Católica de Pernambuco, cujo título foi “A divisão das cotas de televisão do campeonato brasileiro de futebol à luz do princípio da igualdade”.

A curiosidade do tema e o ineditismo da abordagem chamaram a atenção da professora da Faculdade Salesiana do Nordeste, profª. Fátima Oliveira (mestre em Direito Constitucional), a qual me honrou com o convite para que fosse apresentado um artigo científico no IV Salesius, evento organizado pela Fasne. Apresentei, então, o artigo “A cotas de televisão do campeonato brasileiro e o ‘apartheid futebolístico’”.

Já em 2009, após algumas atualizações e necessárias adaptações, ficou concluído o esboço do livro, o qual espero lançar o mais breve possível. O título provisório do livro é “Futebol brasileiro: princípio da igualdade vs. ‘apartheid futebolístico’”.
Passada esta enorme (porém, impreterível) apresentação, vamos ao assunto que verdadeiramente interessa.

A importância e relevância do tema estão mais que evidentes. É algo que mexe com a maior paixão do povo brasileiro, o futebol, o qual é hoje um grande negócio.

O esporte é atualmente responsável por cerca de 1,5% do PIB brasileiro, e tem no futebol o seu carro chefe. Cerca de 70% dos investimentos publicitários nas transmissões esportivas se concentram no futebol. Em termos globais, o futebol já responde por 1,25% do PIB mundial. É, indubitavelmente, um grande negócio.

No Brasil, o negócio do campeonato brasileiro de futebol da Série A (principal competição de âmbito nacional) se encontra sob o poder de uma associação privada (Clube dos Treze), que domina as negociações e concentra os recursos, criando um pequeno e restrito grupo de elite, privilegiado, em detrimento de todos os outros, gerando uma brutal desigualdade. Fazendo surgir, assim, o que se pode denominar de “apartheid futebolístico”.

É impossível tratar deste assunto de forma breve, porém tentarei ser o mais sucinto possível.

DEMOCRACIA E IGUALDADE

Etimologicamente, a palavra democracia tem origem no termo grego dèmokratía, que significa o governo do povo; a soberania popular. Demos = povo e kratos = força, poder. Democracia, em seu primeiro significado é o poder que emana do povo; há democracia no Estado em que o povo detiver o poder. Como regime político, de acordo com Abraham Lincoln, “a democracia é o governo do povo, pelo povo, para o povo”.

O artigo 1º da Constituição Federal de 1988 consagra o Estado Democrático de Direito em seu texto: “Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos [...]”.

O artigo 5º, caput, da Constituição Federal de 1988, ao afirmar que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, não nivela apenas os cidadãos ante a norma legal positivada, submete o legislador e, consequentemente, a legislação ao princípio da igualdade, vez que nenhuma lei deve ser editada em contrariedade à isonomia, sendo vedada, portanto, qualquer forma de diferenciação ou discriminação.

Tratar equitativamente todos os cidadãos que se encontram em situações idênticas, pois não se pode olvidar da máxima de Aristóteles: “a igualdade consiste em tratar os iguais igualmente e os desiguais na medida de sua desigualdade”. Todavia, Celso Antônio Bandeira de Mello alerta para o questionamento essencial: “quem são os iguais e quem são os desiguais?”. A resposta a esta questão elucida a dúvida a respeito de quais discriminações são juridicamente intoleráveis.

É imprescindível a existência de critérios distintivos razoáveis os quais justifiquem os tratamentos jurídicos diversos. A lei precisa de levar em conta as diferenças que há entre os vários grupos que compõem a sociedade.

O princípio da igualdade não busca um igualitarismo absoluto e muito menos permite que ocorram diferenciações e discriminações absurdas e arbitrárias. A isonomia visa a garantir o respeito aos semelhantes e suas peculiaridades, enfim, o respeito à sociedade plural e democrática.

PEC-10/2007, CLUBE DOS TREZE E A DIVISÃO DESIGUAL

De autoria do Deputado Federal André de Paula (DEM/PE), a Proposta de Emenda à Constituição-10/2007 pretende alterar a Constituição Federal, acrescentando um novo parágrafo, o §4º, ao seu art. 217, o qual trata do Desporto.

A PEC-10/2007 promove a necessidade de uma regulamentação que vise a acabar com as discrepâncias existentes na forma como é conduzida a distribuição dos recursos decorrentes, principalmente, dos contratos de direitos de transmissão do campeonato brasileiro de futebol da Série A (primeira divisão).

O responsável pelas negociações dos direitos de transmissão do campeonato em tela é o Clube dos Treze. Bem como é o Clube dos Treze que divide e distribui os recursos provenientes dessas negociações.

Autodenominado “União dos Grandes Clubes do Futebol Brasileiro” (art. 1º do seu estatuto), o Clube dos Treze é uma pessoa jurídica de direito privado, constituída como associação de administração do esporte, modalidade futebol profissional.

Ao repartir os recursos entre os clubes participantes do campeonato brasileiro, o Clube dos Treze age sem critérios de equidade, priorizando os seus associados em detrimento das demais associações esportivas as quais não fazem parte de seu seleto grupo.

Alguns questionamentos podem ser levantados:

- Porque a CBF concedeu legitimidade ao Clube dos Treze para gerir técnica e disciplinarmente os assuntos inerentes à organização e realização do campeonato brasileiro de futebol profissional da Série A?
- Porque a CBF concedeu legitimidade ao Clube dos Treze para prestar serviços de exploração comercial e de marketing da competição por ela gerida?

Atualmente as chamadas “cotas de televisão” estão distribuídas de acordo com os seguintes grupos (valores referentes à cota fixa de televisão aberta:

Grupo I: R$21 milhões – São Paulo, Flamengo, Corinthians, Palmeiras e Vasco*.
Grupo II: R$18 milhões – Santos.
Grupo III: R$15 milhões – Atlético-MG, Cruzeiro, Internacional, Grêmio, Botafogo e Fluminense.
Grupo IV: R$11 milhões – Goiás, Sport, Vitória, Atlético-PR, Coritiba.
Grupo V: R$5,5 milhões - Portuguesa*.
Grupo VI: Bahia (R$3,45 milhões)** e Guarani (R$3,3 milhões)**
Grupo VI: “Convidados” - Avaí, Grêmio Barueri, Náutico e Santo André.***

*Vasco e Portuguesa, por estarem na Série B em 2009, recebem 50% do valor. Por isso, o Vasco tem direito a R$10,5 milhões e a Portuguesa R$5,5 milhões.

**Bahia e Guarani, por estarem a mais tempo fora da Série A, recebem uma cota menor.

***Ficou determinado, em assembleia do Clube dos Treze, realizada em 15 de janeiro de 2009, que os “convidados” negociariam as suas cotas com a diretoria executiva da entidade. Informações dão conta que o Náutico conseguiu aumentar a sua cota para R$7,9 milhões. Quanto ao demais, provavelmente receberão R$3,4 milhões, , valor base para os clubes que sobem da Série B para a Série A (tendo como exemplo a cota do Ipatinga ano passado).

Em 2008, o Corinthians foi beneficiado por esta política seletiva do Clube dos Treze, que privilegia os seus associados em detrimento de todos os outros clubes que disputam a competição. O clube paulista disputou a Série B em 2008 e teve direito a uma cota de R$10,5 milhões. Na Série B, apenas o Bahia, também associado ao Clube dos Treze, obteve benefício semelhante, com cota girando os 5,25 milhões.

O Guarani, por seu turno, que disputou a Série C em 2008, embolsou 25% do valor a que teria direito se estivesse na Série A. Tendo percebido, portanto, R$2,25 milhões.

É justo um clube da Série B ser contemplado com recursos referentes aos direitos de transmissão do campeonato da Série A? Como é possível um clube obter recursos que dizem respeito aos direitos de outros clubes? Como pôde o Corinthians, por exemplo, que estava na Série B ter embolsado recursos que diziam respeito ao campeonato da Série A? E, ainda mais insensato: qual é a justificativa para um clube que não disputa a Série A do campeonato brasileiro perceber valor superior a clubes que dele participam? O que justifica tamanho absurdo?

Não é paradoxal, insensato, incoerente e injusto se referir a clubes que conquistaram seus direitos dentro dos gramados como “convidados”, dando a entender que estes clubes, ao invés de estarem inconformados diante da injusta condição que lhes é imposta, deveriam estar agradecidos por serem “convidados” a receberem uma “fatia do bolo”?

Sempre lembrando: o Clube dos 13 não negocia apenas os direitos de transmissão de seus associados, mas de todos os clubes participantes da Série A do Brasileiro.

CONCENTRAÇÃO DE RECURSOS E O “APARTHEID FUTEBOLÍSTICO”

Vimos como é feita a divisão das “cotas” de televisão do campeonato brasileiro da Série A. Constatou-se que associações pertencentes ao Clube dos Treze têm privilégios na divisão dos recursos.

Esta “inaceitável distorção” fere a democracia em seu âmago. Assemelha-se muito mais a uma oligarquia, sistema de governo que contraria diametralmente a democracia. Oligarquia, na visão de Aristóteles, era um governo mau de poucos. Como nos explica Bobbio: “oligarquia (...) significa propriamente ‘governo de poucos’, corresponde a ‘governo mau de poucos’ (...) Ainda hoje se costuma falar de ‘oligarquias’ (...) para designar grupos de poder que governa sem o apoio popular”.

Cria-se um seleto e pequeno grupo de clubes privilegiados. Um apartheid que divide clubes “grandes” de “pequenos”, contribuindo para o engessamento da mobilidade entre os clubes, com a tendência de os “grandes” se tornarem sempre maiores e os “pequenos” se tornarem, gradativamente, menores; ficando condenados à marginalidade do futebol nacional. É o fosso intransponível que separa os “incluídos” dos “excluídos”.

Se a África do Sul viveu por longos anos um apartheid racial, sistema deplorável e repugnante; e o Brasil se encontra hoje em uma situação de apartheid social, como bem alerta Cristovam Buarque, é possível, sem exagero, fazer uma analogia entre esta apartação social e a concentração dos recursos no futebol brasileiro e, por conseguinte, dizer que no futebol essa apartação também se verifica nas relações entre os clubes e entidades desportivas, gerando o que se pode denominar de “apartheid futebolístico”.

Ao concentrar o poder nas mãos de poucos clubes (“apartheid futebolístico”), agride-se diretamente o princípio da igualdade, pois cria distinções e discriminações absurdas, sem fundamento ou justificativas. Não nos esqueçamos que disse Montesquieu, “o amor pela república, numa democracia, é o amor pela democracia; o amor pela democracia é o amor pela igualdade”.

Em consequência à agressão ao princípio da igualdade, macula-se o elemento essencial de uma competição esportiva: a competitividade entre os adversários.

Com isto, fere-se o Estatuto do Torcedor (Lei 10671/2003), o qual, em defesa e proteção do torcedor, busca a competitividade através da imposição de critérios técnicos, como, por exemplo, é previsto no art. 10, §1º.

Não por acaso os clubes que, dentro de campo, por meio do mérito esportivo, garantiram presença na Série A do futebol brasileiro são rebaixados à condição de meros “convidados”. São “convidados” pois são os “excluídos”, os marginalizados pelo “apartheid futebolístico”.

Nas três maiores ligas nacionais da Europa (em faturamento), Inglaterra, Itália e Alemanha, existem critérios mais equânimes e democráticos. Na Inglaterra, a Premier League, terceira maior liga de esportes no mundo e maior liga de futebol, por exemplo, o dinheiro é dividido em três partes:

1. 56%: são divididos igualitariamente entre todos os clubes.
2. 22%: baseados na classificação final da temporada anterior, ou seja, o mérito desportivo.
3. 22%: variáveis de acordo com o número de partidas transmitidas pela TV.

APROVAÇÃO DA PROPOSTA DE EMENDA: NECESSIDADE DE ELABORAÇÃO DE UMA LEI QUE REGULAMENTE A DISTRIBUIÇÃO DAS “COTAS DE TELEVISÃO”

Sendo aprovada e entrando em vigor, será necessária a elaboração de uma lei que regulamente a distribuição das cotas de televisão, oriundas da venda dos direitos de transmissão do campeonato brasileiro de futebol.

Lei específica, que definirá a destinação e redistribuição para os clubes dos referidos valores contratuais (em conformidade com o referido §4º a ser acrescentado ao art. 217 da CF/88).

É impossível haver uma lei que vá agradar a todos os clubes (e torcedores), bem como é inviável que esta lei venha a criar uma igualdade absoluta entre os clubes partícipes do campeonato brasileiro (não se deve confundir princípio da igualdade com igualitarismo absoluto).

Todavia, é possível se chegar a termos razoáveis e se elaborar uma lei que venha a definir critérios técnicos e desportivos, reverenciando a isonomia e consagrando a competitividade, valor perseguido pelo Estatuto do Torcedor.

No meu livro eu trago sugestões de critérios a serem adotados por esta nova lei. Critérios baseados, principalmente, nos exemplos da Inglaterra e Itália.


CONCLUSÃO: UM CHAMADO A TODOS OS TORCEDORES E UM PEDIDO AOS “REPRESENTANTES DO POVO”

Disse Descartes na abertura do clássico Discurso do Método: “inexiste no mundo coisa mais bem distribuída que o bom senso”.

Se não há bom senso por parte de quem comanda o futebol brasileiro, a aprovação e entrada em vigor da PEC-10/2007 é de suma importância para o equilíbrio e a persecução da igualdade no futebol brasileiro.

Uma lei que busque fundamento em critérios técnicos, trazendo consigo um tratamento justo e equânime, respeitando a isonomia e a competitividade entre os clubes participantes de um campeonato, é a solução ideal para que se caminhe a passos firmes na direção da moralidade e do fortalecimento da democracia não só no futebol, como em toda a sociedade brasileira.

Por isso falamos aos torcedores insatisfeitos:

FAÇAMOS UMA GRANDE MOBILIZAÇÃO EM PROL DA MORALIZAÇÃO DO FUTEBOL BRASILEIRO – Existem meios constitucionais e legais para revertermos essa situação. Devemos fazer uma ampla campanha para que a PEC-10/2007 se torne uma realidade.

Não acredito que o caminho correto seja nos juntarmos ao que prejudicam o futebol brasileiro. Por uma questão ética, devemos lutar pelo FUTEBOL brasileiro e não apenas pelo nosso clube do coração.

Lembrem-se: a “divisão das cotas” é algo que prejudica TODOS os clubes do futebol brasileiro. Se a PEC-10/2007 sair do papel, TODO O FUTEBOL brasileiro será beneficiado.

Para finalizar, deixamos um pedido aos “representantes do povo”:

NOBRES DEPUTADOS FEDERAIS, A MORALIZAÇÃO DO FUTEBOL BRASILEIRO ESTÁ EM VOSSAS MÃOS – A PEC-10/2007 já foi aprovada por unanimidade na CCJC. O primeiro passo já foi dado.
Onde estão os deputados de estados cujos clubes são claramente prejudicados? Que tal se juntarem a fim de tornar o nosso futebol mais DEMOCRÁTICO?

Cabe aos senhores, “representantes do povo”, o pontapé inicial nesta grande mudança em nosso futebol.

A minha parte eu estou fazendo. E vocês?

terça-feira, 21 de abril de 2009

MÉDIAS DO BRASILEIRÃO DE PONTOS CORRIDOS - 2009

Depois de quase um ano de ausência volto a publicar algo no blog. Deixei de fazê-lo por diversos motivos, como falta de tempo e falta de comentários (é sempre ruim você escrever algo, publicar e não ter retorno algum, sequer uma crítica negativa).

Não sei com que frequência vou postar textos por aqui. Porém, tenho a intenção de em breve publicar um texto sobre Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do FC Porto, que recentemente completou 27 anos à frente do clube. Um reconhecimento a este grande presidente que, a depender da vontade dos adeptos portistas, fica à frente do clube por muitos mais anos.

Além disso, é provável que eu coloque algo relacionado ao meu trabalho sobre as Cotas de TV do campeonato brasileiro, trabalho o qual pretendo (sonho?) transformar em livro (na realidade, ter condições de lançar um livro). Talvez um pequeno artigo possa ser publicado por aqui.

Enfim, passada a introdução, vamos ao assunto de hoje.

AS MÉDIAS DO BRASILEIRÃO, versão 2009.

Tudo começou em 2007, ano em que o Náutico voltou a participar da Série A do campeonato brasileiro. Por curiosidade resolvi fazer o levantamento das médias do campeonato de pontos corridos, como, por exemplo, qual a pontuação mínima e segura para um clube se livrar do rebaixamento?

Ano passado resolvi partilhar estes números com todos. Postei neste blog e no Orkut.

Agora faço apenas a atualização de alguns dados, pequenas alterações nas observações e volto a postar os números para aqueles que, como eu, se interessam pelo assunto.

Só peço que se alguém for usar esses números ou as observações, dêem o devido crédito, citando a fonte.

Para se livrar do rebaixamento:

2003:

50 pontos - 46 jogos - 36,2%

2004:

51 pontos - 46 jogos - 36,9%

2005:

50 pontos - 42 jogos - 39,7%

2006:

40 pontos - 38 jogos - 35,1%

2007:

45 pontos - 38 jogos - 39,5%

2008:

45 pontos – 38 jogos – 39,5%


Média geral dos 6 anos: 37,8%

Para 2009 pela média: +- 43 pontos

Até 2007: 36,975% +- 42 pontos

Até 2008: 37,5% +- 43 pontos

Observações:

Pela média, o clube que atingir os 43 pontos, teoricamente, está livre do rebaixamento. Porém, é bom trabalhar em cima dos 45 pontos, como margem de segurança.

Temos como exemplo o campeonato de 2007 para todos se prevenirem, pela média, até então, com 42 pontos já se salvaria da degola. O Corinthians fez 44 pontos e foi rebaixado. O Goiás se livrou do rebaixamento com 45 pontos.

O campeonato de 2008 também serve de exemplo para os mais precavidos. Pela média, um clube com 43 se livraria do rebaixamento. Porém, o Figueirense com 44 pontos foi rebaixado, o Náutico com os mesmos 44 pontos se livrou pelo saldo de gols.

Apenas mais uns dados a título de curiosidade: os campeonatos de 2005 (39,7%), 2007 e 2008 (ambos 39,5%) foram os mais complicados.

Se desconsiderarmos esses 3 anos, a média dos campeonatos de 2003, 2004 e 2006 é de 36,2%, o que significa algo em torno de 41 pontos.

Com 38 rodadas (a partir de 2006), já tivemos clubes podendo se livrar com apenas 40 pontos (2006) e clubes precisando de mais de 43 pontos (2007 e 2008). Pela média destes 3 campeonatos, um time precisaria de um aproveitamento de 38%, ou seja, arredondando para cima, 44 pontos.

Portanto, não custa nada ser mais prudente e trabalhar com o número mais alto. Diante da média geral de 43 pontos e dos últimos 3 anos (com 38 rodadas) de 44 pontos, o clube somente deverá se sentir seguro ao chegar aos 45 pontos.

Para chegar à Sul-americana:

2003:

65 pontos - 46 jogos - 47,1%

2004:

67 pontos - 46 jogos - 48,55%

2005:

58 pontos - 42 jogos - 46%

2006:

48 pontos - 38 jogos - 42,1%

2007:

54 pontos - 38 jogos - 47,4%

2008:

45 pontos – 38 jogos – 39,5%


Média geral dos 6 anos: 45,1%

Para 2009 pela média: +- 51 pontos

Até 2007: 46% +- 52 pontos

Até 2008: 46,3% +- 53 pontos

12º lugar nos campeonatos de 2006 a 2008: Média de 44,7% = +- 51 pontos

Observações:

Vão à Copa Sul-americana 5º ao 12º colocados.

Pela média, o clube que atingir 51 pontos, teoricamente, garante vaga na Copa Sul-americana. Porém, é bom trabalhar em cima dos 54 pontos, como margem de segurança.

Em 2006 (campeonato com 38 rodadas como o de 2009), o Botafogo ficou em 12º lugar com 51 pontos. Em 2008, o 12º foi o Atlético-MG, com 48 pontos.

Em 2007 (também 38 rodadas), por sua vez, o Atlético-PR, 12º colocado, fez 54 pontos.

Ressalva-se que o 13º colocado pode vir a garantir lugar na competição, desde que o campeão da Copa do Brasil seja da Série A e fique entre os 12 primeiros colocados.

Entretanto, como já dissemos, estamos trabalhando com uma margem de segurança, então é prudente guiar-se pelos 54 pontos.

Para chegar à Libertadores:

2003:

74 pontos - 46 jogos - 53,6%

2004:

79 pontos - 46 jogos - 57,24%

2005:

70 pontos - 42 jogos - 55,5%

2006:

64 pontos (4º colocado) - 38 jogos - 56,14%

2007:

61 pontos (4º colocado) - 38 jogos - 53,5%

2008:

65 pontos (4º colocado) – 38 jogos – 57%

Média geral dos 6 anos: 55,5%

Para 2009 pela média: +- 63 pontos

Até 2007: 55,62% +- 63 pontos

Até 2008: 55,2% +- 63 pontos

Observações:

Pela média, o clube que atingir 63 pontos, teoricamente, garante vaga na Libertadores.

O campeonato de 2007 teve a média mais baixa de todos os campeonatos de pontos corridos, 0,1% mais baixa do que a de 2003 (primeiro ano dos pontos corridos, quando o Cruzeiro monopolizou o Brasileirão).

Três fatores, entretanto precisam de ser levados em consideração quando analisamos os números referentes à Taça Libertadores, a saber:

1. Possibilidade do campeão da Libertadores 2009 ser um clube brasileiro.

São Paulo, Palmeiras, Grêmio, Cruzeiro e Sport estão na briga pelo título da Libertadores no momento. Se um deles se sagrar campeão continental, garantirá vaga automática na edição do ano seguinte. Vamos supor que o São Paulo conquiste o tetracampeonato da Libertadores, assim sendo terá vaga na Libertadores 2010; se o tricolor paulista ficar entre os 4 primeiros do Brasileirão, abrir-se-á mais uma vaga no campeonato nacional, ou seja, o 5º colocado terá acesso ao torneio continental.

2. Possibilidade do campeão da Copa do Brasil 2009 se classificar entre os 4 primeiros do Brasileirão.

O campeão da Copa do Brasil tem vaga na Libertadores. Se o clube conquistar a Copa do Brasil e ficar entre os 4 primeiros do Brasileirão, haverá mais uma vaga no campeonato brasileiro, logo o 5º colocado se classificaria. Por exemplo, o Internacional pode conquistar o bicampeonato da Copa do Brasil, garantindo-se na Libertadores, e ficar entre os 4 do Brasileirão, neste caso o 5º colocado ficaria com a última vaga.

3. Campeões da Copa do Brasil e Libertadores 2009 ficarem entre os 4 primeiros.

Nessa situação, inédita até o presente, surgiriam mais duas vagas no Brasileirão, no caso para o 5º e o 6º colocados. A priori pode-se imaginar improvável, mas é possível que, por exemplo, o São Paulo seja tetracampeão da Libertadores e o Internacional bicampeão da Copa do Brasil e ambos fiquem entre os 4 primeiros no Brasileirão, posto que são apontados como dois favoritos no campeonato brasileiro 2009.

Em 2006 e 2007, aconteceu de o 5º classificado ter acesso à Libertadores.

Em 2006, o Internacional, campeão da Libertadores, foi o vice-campeão brasileiro e possibilitou que o 5º classificado Paraná pudesse disputar a pré-eliminatória da Libertadores.

Em 2007, por sua vez, o Fluminense, campeão da Copa do Brasil, classificou-se em 4º lugar no Brasleirão, permitindo ao 5º colocado, o Cruzeiro, disputar a pré-eliminatória da Libertadores.

Contudo, trabalhamos com a média para o 4º lugar, mesmo sabendo que existe a possibilidade de se classificar para a Taça Libertadores da América com pontuação abaixo da média, fato que ocorreu, por sinal, por dois anos seguidos muito recentemente, pelos motivos acima expostos.

Trabalhando com a média do 4º colocado, e calcado na margem de segurança, é prudente se orientar pelos 64 pontos, pois em 2006 o 4º colocado (Santos) fez exatos 64 pontos e em 2008 o Palmeiras chegou aos 65 pontos e garantiu a última vaga, enquanto que o Flamengo fez 64 pontos, ficando na 5ª posição e, conseqüentemente, de fora da Libertadores.

Portanto, sendo precavido: 64 pontos.

Média de pontos dos CAMPEÕES:

2003:

100 pontos - 46 jogos - 72,4%

2004:

89 pontos - 46 jogos - 64,5%

2005:

81 pontos - 42 jogos - 64,28%

2006:

78 pontos - 38 jogos - 68,42%

2007:

77 pontos - 38 jogos - 67,5%

2008:

75 pontos – 38 jogos – 65,8%

Média geral dos 6 anos: 67,15%

Para 2009 pela média: +- 76 pontos

Até 2007: 67,4% 77 pontos

Até 2008: 67,4% 77 pontos

Observações:

Pela média, para se sagrar campeão o clube tem que mirar todos os seus alvos em 76 pontos, ou seja, um aproveitamento de 67,15%.

Porém, essa estatística não é tão precisa, pois a pontuação mínima para se sagrar campeão depende muito mais do nível de equilíbrio (ou desequilíbrio) do campeonato.

Em 2003 o Cruzeiro dos 100 pontos sobrou à frente de todos os outros e terminou o campeonato 13 pontos à frente do Santos, vice-campeão. 2003 registra a média de aproveitamento mais alta de um campeão: 72,4%.

Em 2004 houve um certo equilíbrio, três clubes terminaram separados por apenas 7 pontos de diferença. O campeão Santos fez 89 pontos, contra 86 do vice Atlético-PR e 82 do 3º São Paulo. 2004 registra a segunda média de aproveitamento mais baixa de um campeão: 64,5%, fruto, evidente, do equilíbrio.

O campeonato de 2005 ficou marcado por duas palhaçadas extra-campo, onde o grande palhaço foi o torcedor brasileiro: o caso Edílson e o “erro” do árbitro no decisivo jogo Corinthians x Internacional. Beneficiado (coincidência, acaso ou sorte?) tanto pelo “caso Edílson”, quanto pelo “erro” do árbitro, o Corinthians, injustamente, ficou com o título em detrimento do Internacional. Os paulistas conquistaram 81 pontos, os gaúchos 78. 2005, não à toa, registra a média mais baixa de um campeão: 64,28%.

Os campeonatos de 2006 e 2007 foram muito parecidos. Bipolarizados até certo ponto da competição, para, já nas rodadas finais o São Paulo se desgarrar e rumar firme em direção ao título.

Em 2006, os são-paulinos obtiveram 68,42% de aproveitamento, com 78 pontos, 9 a mais que o vice-campeão Internacional.

Em 2007, por sua vez, foram 67,5% de aproveitamento, 77 pontos. Embora com um ponto a menos do que em 2006, os tricolores tiveram uma folga muito maior, foram 15 pontos de avanço ante o vice-campeão Santos.

Em 2008 houve um grande equilíbrio durante boa parte da competição. A dada altura 5 clubes possuíam chances de chegar ao título. À medida em que o campeonato de aproximava do fim, a disputa foi se afunilando até ficar bipolarizada entre São Paulo e Grêmio. O título foi decidido apenas na última rodada e o São Paulo levantou o seu 6º título brasileiro, o primeiro tricampeão nacional, com 75 pontos (65,8%). O vice-campeão Grêmio fez 72 pontos.

Ficam aí os números e observações. Acredito que seja útil, de alguma forma, para quem gosta de futebol.

PS. Vai sem imagem para ilustrar devido a problemas na edição do texto. Sempre que coloco uma imagem o texto fica completamente distorcido. Como não sou bom nessas coisas, é melhor ir assim, sem imagens (o que eu lamento).

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Quer dizer que no Marcanã pode?!

Desde o último domingo, dia 01 de junho de 2008, os profissionais dos órgãos de comunicação do Rio de Janeiro e São Paulo, em sua maioria, têm feito uma campanha aberta e descarada contra o Clube Náutico Capibaribe devido ao descontrole de um jogador que cometeu vários crimes e se rehagiu a uma abordagem policial.

O Sr. Bebeto de Freitas não pára de chorar desde então. Tem ido a todos os programas de televisão, em especial de uma certa emissora, fazendo-se de vítima e passando a mão na cabeça de seu atleta transgressor, cujo passado recente não é muito positivo em termos de comportamento e civilidade. Logo o Sr. Bebeto de Freitas, que já está com um processo nas costas, por ter desacatado uma autoridade.

Algumas pessoas, nessa campanha absurda e discriminatória, chegaram a falar que o Náutico não pode receber jogos em casa; pior, que o estado de Pernambuco não tem condições de oferecer segurança aos clubes e torcidas visitantes, devido ao despreparo da Polícia Militar local.

Tudo isto, vejam bem, em um caso em que o Náutico não teve culpa alguma e a PM/PE agiu corretamente na sua função de mantenedora da paz e da ordem, ao usar da força necessária para imobilizar um infrator que desacatou uma policial, resistiu e desobedeceu à ordem de prisão.

Tentaram se fazer de vítimas, tentaram omitir os crimes cometidos pelo jogador. O Sr. Bebeto de Freitas, chorão como já demonstrou ser após a final da Taça Guanabara deste ano, fez-se de vítima também e disse coisas que não correspondem exatamente à realidade.

Mas, pessoal, como a vida é irônica, não é mesmo? Como a natureza encontra os seus meios de mostrar que devemos ter cuidado ao falar dos outros, principalmente quando nosso ego e nossa prepotência nos impede de olharmos para nossos próprios umbigos e nossas deficiências. Ou, pior, quando queremos apontar o dedo aos outros e fazemos de conta, de uma forma hipócrita, que não temos deficiências a serem sanadas.

Pois é, a mãe natureza em sua perfeição ontem deu o troco aos órgãos de comunicação do Rio de Janeiro, aos dirigentes de futebol do Rio de Janeiro e mandou seu recado.

1º Fato:

Polícia Militar do Rio de Janeiro desce o sarrafo na torcida do Boca e usa gás de pimenta para reprimir os torcedores argentinos.

Tudo aquilo que criticaram na Polícia Militar de Pernambuco, sem razão e sem corresponder às verdades dos fatos, a Polícia Militar do Rio de Janeiro cometeu.

- Foi extremamente violenta com torcedores que viajram milhares de quilômetros para verem seu time jogar.

- Usaram gás de pimenta, que é nocivo à saúde, para reprimir os torcedores que já estavam sendo espancados na base do cacetete.

Digam-me uma coisa, dirigentes do Rio de Janeiro, será que a Polícia do Rio é preparada para garantir a segurança dos torcedores visitantes que vão à cidade para assistirem a um jogo do seu time?

Não seria o caso de pedirem a interdição do Maracanã por falta de segurança? E, claro, de impedir que se realizem jogos no estado do Rio de Janeiro, dado ao despreparo da Polícia Militar?

2º Fato:

Torcedor invade o gramado e é contido com uma gravata "mata-leão".

Como é possível um torcedor invadir o gramado de um estádio cuja segurança é exemplar e admirável?

E o tratamento dispensado a este torcedor?! Muito interessante a forma como ele foi contido, com o "mata-leão", um golpe de artes marciais conhecido pela sua força e violência. Pelo próprio nome já se deduz o que ele implica ao golpeado.

Pois bem, vamos a algumas considerações.

- Será que o Maracanã oferece, realmente, segurança aos jogadores?

Imaginemos um torcedor que invada o gramado para protestar, ao invés de comemorar, como ontem.

Certamente, a segurança dos jogadores estaria em risco, não é verdade? Pois é.

- O tratamento dado ao torcedor não foi violento?

Quer dizer que a Polícia Militar de Pernambuco não pode fazer uso da força para imobilizar uma pessoa que acabara de cometer os crimes de desacato, resistência e desobediência, mas no Maracanã um torcedor pode ser imobilizado violentamente após invadir o gramado?

Temo que no Maracanã não haja segurança e estrutura para receber jogos de futebol. Confesso que temo.

E vejam a grande ironia da vida.

Quando o jogador do Botafogo provocou aquele tumulto, o qual poderia gerar uma confusão generalizada, a torcida do Náutico se portou de forma educada e civilizada.

Nenhum torcedor do Náutico invadiu o gramado. Nenhum torcedor do Náutico atirou objetos em direção ao jogador.

Foi um comportamento exemplar.

Mas, mesmo assim, querem impedir que a torcida do Náutico possa assistir aos jogos do seu clube no seu estádio.

Aí, lançam-se as perguntas:

E o Fluminense?

E o Maracanã?

E o Rio de Janeiro?

Não será feito nada a respeito?

Por fim, só mais uma pergunta:

E a imprensa, o que dirá?

É por essas e por outras que não tenho um pingo de orgulho de ser brasileiro. Como diria o outro (há controversias a respeito da autoria), o Brasil não é um país sério.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

As confusões de André Luis (jogador do Botafogo)

Antes de mais nada, gostaria de dizer que Polícia agiu corretamente.

Não vamos inverter os fatos e manipular a situação.

André Luis cometeu vários crimes (e não erros) em seqüência e praticamente está sendo elevado à categoria de vítima pela maioria dos profissionais dos meios de comunicação sediados no Rio e em São Paulo.

Primeira parte:

1. Gestos obscenos para os torcedores.

Só aí já seria passível de um processo por atentado ao pudor, de ação privada. Qualquer torcedor do Náutico, sentindo-se ofendido por aqueles gestos, pode acionar judicialmente o jogador do Botafogo, mediante queixa.

2. Chutou uma garrafa de água, com violência, em direção à torcida do Náutico.

2.1. Lesão Corporal Leve

Ao atingir a garrafa em um torcedor do Náutico, lesionando-o, o jogador do Botafogo incorreu em crime de lesão corporal leve.

2.2. Provocação de tumulto

Ao dar o seu espetáculo particular, o atleta incorreu no art. 40 da Lei das Contravenções Penais, portou-se de modo inconveniente e desrespeitoso em espetáculo público. É crime de Ação Penal Pública.

Em poucos minutos ele praticou, no mínimo, 3 crimes.

Segunda parte:

O que fez a Polícia Militar de Pernambuco? Foi em sua direção a fim de conduzi-lo à Delegacia Móvel que fica nas dependências do clube em dia de jogos.

Qualquer cidadão, ao ser abordado por policiais deve agir com respeito e obediência. São agentes da autoridade e, naquele momento, eles são a autoridade.

Quando a policial se aproxima dele e toca em seu braço, ele reage de maneira violenta, esquivando-se da abordagem policial e pronunciando palavras em sua direção. ELE ERROU FEIO!

O que vocês acham que aconteceria se fosse no meio da rua? Se a Polícia abordasse um cidadão e este reagisse de forma indisciplinada? A pessoa seria, prontamente, encaminhada à Delegacia e os policiais usariam da força para imobilizá-lo.

Isso é lógico e óbvio, não sejamos hipócritas! Se a pessoa reage com indisciplina e violência a uma abordagem policial, como é que os policiais irão cumprir a sua função de agentes da autoridade, entregando um botão de rosas ao infrator??? Claro que não! Tem que ser mediante o uso da força mesmo.

Foram mais 3 crimes, em meu entendimento.

1. Resistência

Ao opor-se, de forma violenta, a uma abordagem policial.

2. Desobediência

Quando há resistência, sempre existe desobediência. Isso é lógico, afinal se ele resistiu a uma ação legal, logo ele desobedeceu o ato legal.

3. Desacato

Ele desacatou a policial. Segundo depoimento desta, ele disse coisa do gênero "polícia de merda".

Terceira parte, a confusão generalizada:

Achando pouco tudo o que já tinha causado, o jogador, aparentemente desequilibrado, com o auxílio de vários jogadores do seu time, conseguiu se soltar dos policiais e correu em direção aos vestiários.

Ao chegar à porta do vestiário, viu que a mesma se encontrava fechada. Começou a dar socos e pontapés, com aparência de total descontrole. O Clube Náutico Capibaribe, poderia, inclusive, acioná-lo por dano ao patrimônio.

O jogador, aparentemente descontrolado, se recusava a ser acompanhado pelos policiais militares. Quem ele pensa que é para tentar se colocar acima dos agentes da lei???

Não podemos ser hipócritas e fechar os olhos para todos os CRIMES por ele cometido. Ele não tinha o direito de entrar nos vestiários, simplesmente porque, naquele momento, ele se encontrava em evasão à abordagem policial. Ou seja, ele TINHA que ser ACOMPANHADO pelos policiais militares.

Mais uma vez, vamos imaginar uma situação cotidiana.

Quer dizer que se você fosse abordado pela polícia, resistisse, desobedecesse, desacatasse o policial e se evadisse do local, a Polícia não teria o direito de usar da força para imobilizá-lo e levá-lo à Delegacia? Ou se você dissesse: "não, deixa eu entrar em casa, eu quero entrar em casa, não quero ir com vocês". Isso faz algum sentido? Isso é aceitável? É evidente que não!

Os errados foram todos os jogadores do Botafogo que tentaram impedir a ação legal dos policiais. Eles também deveriam, com o recurso dos vídeos para os identificarem, ser processados por resistência e provocação de tumulto.

O Sr. Bebeto de Freitas é outro. Mas dele falarei mais adiante.

Para finalizar a respeito do André Luis, creio que a Polícia Militar de Pernambuco agiu corretamente e dentro da lei.

Primeiramente, abordou o jogador sem uso de violência ou abusos. Este, ao resistir e etc., provocou a reação necessária da PM, que tinha que agir de forma mais contudente a fim de prestar a sua função, de concluir o seu ato legal. E, mesmo assim, fez uso da violência necessária, não excedendo, nem exagerando na abordagem.

André Luis, de acordo com a imprensa, fez um "acordo" ou uma aceitou "pena alternativa". Acredito que tenha sido uma Transação Penal, prerrogativa da Lei dos Juizados Especiais, a qual permite ao infrator aceitar uma proposta do Ministério Público para pôr fim ao processo. Ao aceitar a Transação Penal o infrator não assume culpa, nem inocência. Com a Transação Penal o processo se encerra sem se discutir o mérito.

No caso de André Luis, a proposta feita pelo Ministério Público, e aceita pelo jogador, foi de 25 salários mínimos em benefício do Hospital do Câncer de Pernambuco. Assim, ao contrário do que a imprensa vem vinculando, o atleta não foi "punido", nem "condenado". Ele pôs fim ao processo, como já disse, sem se julgar o mérito, ou seja, se ele cometeu ou não o crime.

Agora, só um detalhe: CERTAMENTE esta Transação Penal se refere apenas aos crimes de Ação Penal Pública.

O que isto significa? Todos os crimes de Ação Privada ainda podem recair sobre o jogador. Ou seja, se algum torcedor do Náutico se sentir lesado por seus atos obscenos, poderá processá-lo na esfera criminal e cível; e se o torcedor que levou a garrafada no rosto quiser, pode processar o atleta por lesão corporal leve, também tanto na esfera criminal, como na cível.

E, no caso da esfera criminal, sendo o caso de novos processos, André Luis não poderá aceitar outra proposta de Transação Penal, pois fica impedido, por lei, de "transacionar" nos próximos 5 anos. Portanto, caso ele seja processado pelo torcedor que levou a garrafada no rosto ou por algum outro torcedor do Náutico, o processo deverá seguir até o fim, a não ser que ele aceite uma Suspensão Condicional do Processo, que, também, só será válida para um processo, se houver mais de um, ele será julgado e, aí sim, poderá ser condenado.

Bebeto de Freitas

O Clube Náutico Capibaribe possui apenas 2 camarotes. Um destes foi disponibilizado para a diretoria e comissão do Botafogo.

O Sr. Bebeto de Freitas se encontrava sossegado em seu camarote, com ar-condicionado, vidro blindado, etc. Ou seja, confortável e seguro.

ELE NÃO TINHA NADA QUE SAIR DE ONDE ESTAVA PARA INTERVIR EM FAVOR DO ATLETA, QUANDO ESTE JÁ SE ENCONTRAVA A CAMINHO DA DELEGACIA.

Vamos, novamente, a um exemplo cotidiano. Se você estiver sendo levado pela Polícia, o seu pai pode partir para cima dos policiais e tentar, de todas as formas retirá-lo das "mãos" dos policiais??? É evidente que não!

Se alguém tentar ajudar uma pessoa, levada pela polícia, a se evadir da ação policial, é óbvio e aceitável que os policiais REAJAM com o uso da força para impedir que o terceiro ajude o infrator.

Este foi o primeiro erro do Sr. Bebeto de Freitas. E não vamos dizer que ele estava certo, porque ele errou, e ERROU FEIO.

Por fim, para coroar suas trapalhadas, o Sr. Bebeto de Freitas achou por bem DESACATAR um PROMOTOR PÚBLICO, ao proferir palavras de baixo calão ao digno Promotor. Desacato é crime com pena de detenção de 6 meses a 2 anos, ou multa.

Mais um exemplo?

Vamos supor que você é um digno Procurador, e em EXERCÍCIO DE SUA FUNÇÃO LEGAL, fosse desacatado por qualquer cidadão.

Vocês iriam proceder de que maneira? Passar a mão por cima da cabeça da pessoa que acabara de o desacatar, ou dar voz de prisão?

Pois é, como é que os profissionais dos meios de comunicação sediados no Rio e em São Paulo, em sua maioria, têm tentado elevar o Sr. Bebeto de Freitas ao nível de inocente e, pior de tudo, vítima?

Ele DESACATOU UM PROMOTOR PÚBLICO e, por isto, terá que responder a processo criminal. Foi-lhe proposta uma Transção Penal, a qual foi recusada. Portanto, o processo pelo crime de Desacato terá continuidade.

Punição ao Náutico? Punição a todos os clubes de Pernambuco?

Porque não punirmos logo todos os clubes nordestinos?

Porque não expurgarmos, de uma vez por todas, os clubes da Região Nordeste, tão discriminada por muitos do centro financeiro nacional e maltratada pelo Poder Público Federal, das competições nacionais?

Já não basta os clubes nordestinos terem que viver às mínguas, sem condições financeiras e estrutura para competir em pé de igualdade com os do Sul e Sudeste?

Já não basta a concentração da esmagadora maioria da renda do futebol nacional na região Sul-Sudeste? Da desigual, injusta e pouco técnica divisão da Cota de TV por parte de uma entidade privada que apenas defende os interesses de seus "membros"???

Não basta lutarmos contra tudo e contra todos, fazendo o máximo esforço para podermos disputar uma competição com cota de R$3 milhões, enquanto outros recebem R$30 milhões (e ainda conseguem ser rebaixados)???

É um absurdo querer punir o Clube Náutico Capibaribe e TODO estado de Pernambuco (como já foi falado publicamente por certas pessoas) por CRIMES cometidos por pessoas alheias ao clube!

É um absurdo o Náutico ter que pagar pelo desequilíbrio e descontrole de um jogador do clube adversário! Uma pessoa que, em minutos, cometeu inumeros crimes em seqüência.

Porque o Náutico, ou Pernambuco, teria que pagar por isto???

Não é justo! E não podemos aceitar essa injustiça de braços cruzados.

O Clube Náutico Capibaribe, a Federação Pernambucana de Futebol, a Prefeitura Municipal de Recife, o Governo do Estado de Pernambuco, os Deputados Federais e Senadores de Pernambuco têm que tomar uma posição institucional e partirem para a luta.

Todos, cada um com sua obrigação naquilo que lhe cabe juridicamente, têm que agir e evitar que o futebol pernambucano seja condenado por crimes dos quais foi vítima.

À torcida, cabe o papel de protestar, de fazer valer seu direito à liberdade de expressão e ir às ruas demonstrar indginação com uma eventual punição ao Clube Náutico Capibaribe.

domingo, 1 de junho de 2008

CLUBES MEXICANOS NA LIBERTADORES




É comum surgirem muitas dúvidas a respeito da participação dos clubes mexicanos na Copa Libertadores da América.

Porque eles participam da Libertadores?

Como é a forma de qualificação dos mexicanos para a Libertadores?

As respostas a essas perguntas e outras curiosidades podem ser encontradas logo abaixo.

O Motivo

O motivo para que os clubes mexicanos participem da Libertadores é simples: financeiro.

Entendendo o futebol como uma mercadoria, um negócio, a Conmebol abriu a Libertadores para a participação de clubes mexicanos, ampliando, assim, o público espectador e, conseqüentemente, o público consumidor.

Com clubes mexicanos na parada, a "marca" Copa Libertadores da América se fortalece e tem uma inserção muito maior em um enorme mercado, o mexicano (que representa a segunda maior economia da América Latina).

Já faz 10 anos que os clubes mexicanos disputam a Libertadores. O Guadalajara e o América disputaram a competição em 1998 e, de lá para cá, os clubes mexicanos têm participado da competição sul-americana na condição de "convidados".

A melhor participação de um clube mexicano foi em 2001, quando o Cruz Azul chegou à final e perdeu o título para o Boca Juniors, na Bombonera. Os mexicanos venderam caro a derrota, perdendo em casa por 1x0 e vencendo na Argentina por 1x0, sendo derrotado somente nos pênaltis.

Copa (Liga) dos Campeões da Concacaf


Os campeões do Clausura e Apertura do Campeonato Mexicano disputavam a Copa dos Campeões da Concacaf, competição amplamente dominada pelos clubes mexicanos, que detêm 24 títulos (América e Cruz Azul são os dois maiores vencedores, com 5 títulos cada) contra 18 na soma de todos os outros países.

É a Copa dos Campeões da Concacaf que dá acesso ao Mundial de Clubes. Só um detalhe, a partir do segundo semestre de 2008, a competição se chamará Liga dos Campeões da Cocacaf e ganhará um novo formato.


Sobre a qualificação, era o seguinte:

Vamos a um exemplo prático.

A Copa dos Campeões de 2008, vencida pelo Pachuca, teve como representantes mexicanos o Pachuca e o Atlante.

O Pachuca se classificou por ter sido o campeão mexicano no torneio Clausura 2006/07 (que foi disputado no primeiro semestre de 2007).

O Atlante, por ter sido o campeão mexicano no torneio Apertura 2007/08 (que foi disputado no segundo semestre de 2007).

A partir do segundo semestre de 2008 se dará início à "primeira" edição da Liga dos campeões, com novo nome e formato, ampliando-se para 24 o número de clubes participantes.

Com esta ampliação, o número de vagas para os mexicanos também aumenta. Serão 4 clubes mexicanos com acesso à Liga dos Campeões: os campeões e vices do Clausura e Apertura.


A Liga dos Campeões da Concacaf seguirá modelo do calendário europeu, ou seja, terá início no segundo semestre de 2008 (previsto para começar em agosto) e acabará no primeiro semestre de 2009 (o campeão deverá ser conhecido no mês de maio).


Mexicanos na Libertadores - INTERLIGA



Desde 2005 o México tem direito a 3 vagas na Libertadores.

Disputam o torneio:

Dois clubes mexicanos que não têm acesso à Copa/Liga dos Campeões da Concacaf.

Um dos dois "campeões" (Clausura e Apetura).

O campeão e vice da Interliga são os clubes que, juntamente com um dos dois campeões (ou do Clausura ou Apertura) representam o México na Liberadores.

A Interliga é um torneio que reúne 8 clubes e tem um caráter classificatório, justamente para apontar dois dos três representantes mexicanos na Libertadores.

O outro representante sai de uma disputa entre os campeões do Clausura e Apertura, que fazem uma espécie de decisão para ver quem tem acesso ao torneio sul-americano.

O campeão da "decisão dos campeões" e o campeão da Interliga têm acesso direto à fase de grupos. O vice-campeão da Interliga disputa a fase de qualificação, a "pré-Libertadores".

No caso de 2008:

Campeão mexicano vencedor da “decisão dos campeões”: Guadalajara - campeão do Apertura 2006/07. Foi o 3º colocado do grupo 6, perdendo a vaga para a segunda fase para Cúcuta e Santos.

Campeão da Interliga: América. Sensação da Libertadores, após eliminar o Flamengo de forma histórica no Maracanã. Foi o 2º colocado do grupo 5, atrás do River Plate e com o mesmo número de pontos do Universidad Católica, ganhando no número de gols marcados (10x6).

Vice-campeão da Interliga: Atlas. Na fase de “pré-Libertadortes” eliminou o La Paz, da Bolívia. Na fase de grupos ficou em 1º lugar no grupo 3, à frente do Boca Juniors. Foi eliminado, entretanto, pelo próprio Boca nas Quartas-de-final, depois de empatar por 2x2 em Buenos Aires, sofreu uma goleada em casa, 0x3.

A partir de 2009

Com a remodelação da Copa dos Campeões da Concacaf, com novo nome, formato e maior número de clubes participantes, é provável que a forma de qualificação dos mexicanos para a Libertadores sofra algumas alterações. Mas, acredito, nada que seja drasticamente diferente da forma como se dá atualmente.

Então, creio e espero que tenha ajudado a esclarecer algumas dúvidas em relação ao assunto.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

UMA QUARTA-FEIRA DE (BOM) FUTEBOL.


UMA QUARTA-FEIRA DE (BOM) FUTEBOL.

O dia 21 de maio reservou aos fãs do futebol uma verdadeira tarde/noite de deleite. Três grandes jogos em seqüência, todos decisivos. Dois um pouco menos importantes do que um, porém não menos emocionantes.

Manchester United (6) 1x1 (5) Chelsea

Primeiro jogo da tarde, a final da UEFA Champions League, ou, Liga dos Campeões da Europa. A maior competição de clubes do mundo, aquela que envolve os maiores clubes da Europa, continente que concentra o poder financeiro do futebol mundial e, conseqüentemente, os melhores e mais badalados jogadores do planeta.

Pela primeira vez na história a Europa viria uma final entre dois clubes ingleses. Assim, o futebol inglês se juntou a espanhóis e italianos em duas marcas:

1. Até então haviam ocorrido duas finais entre clubes do mesmo país – Real Madrid 3x0 Valencia (ESPANHA) e Milan (3) 0x0 (2) Juventus (ITÁLIA). A Inglaterra se tornava o 3º país a ter uma final “doméstica”.

2. Em conseqüência desta final caseira, os ingleses já tinham certeza de outra coisa – o 11º título do país na principal competição européia, igualando-se à Espanha (Real Madrid 9, Barcelona 2) e Itália (Milan 7, Juventus 2, Inter 2), que já contavam com 11 títulos. Restava saber se o Man Utd chegaria ao seu 3º título ou se o Chelsea levantaria a Taça pela primeira vez, sendo o primeiro clube da capital inglesa a se sagrar campeão europeu. Liverpool (5), Nottingham Forest (2) e Aston Villa (1) são os clubes ingleses campeões.

Com dois times recheados de estrelas, os dois melhores times ingleses da temporada (lutaram até o fim pelo título nacional, com o Man Utd levando o título na última rodada, somando 87 pontos, contra 85 do Chelsea), não decepcionaram e fizeram um grande jogo de futebol, que, certamente, entrará para a história. Ao contrário das outras duas finais entre clubes do mesmo país, esta foi equilibrada e emocionante. Falo isso porque em 2000, o Real Madrid não tomou

ciência do Valencia, e enfiou 3x0; já em 2003, os italianos fizeram uma partida equilibrada, porém bem ao feitio do futebol italiano, um jogo tático, defensivo e sem graça, com 0x0 nos 120 minutos.

O jogo de ontem, por sua vez, embora tenha sido decidido nos pênaltis como a decisão de 2003, foi extremamente emocionante e ambos os times jogaram para vencer. Embora na segunda etapa o Chelsea tenha “amarrado” um pouco mais, o jogo não deixou de ter boas oportunidades de gols.

O Man Utd foi superior no primeiro tempo, praticou um belo futebol, comandado pelo português

Cristiano Ronaldo. Com um apaixonado pelo bom futebol, deu gosto de ver os “red devils”

na primeira etapa. O Chelsea deu sorte e encontrou um gol, terminando a primeira etapa em

1x1.

No segundo tempo, o Chelsea foi superior, só que a sua maneira, ou seja, jogou feio. Foi melhor,

mas em termos de espetáculo a partida perdeu um pouco de sua graça. Se eu fosse torcedor dos “blues” até diria que foi uma grande exibição, pois como torcedor eu quero a vitória; porém,

como espectador de futebol e admirador do futebol arte, o jogo pragmático do Chelsea não é dos melhores de se ver. Contudo, há de se reconhecer a supremacia tática dos londrinos que praticamente anularam as ações ofensivas do Man Utd. Os “red devils” só tiveram três boas jogadas, todas passando pelos pés de Cristiano Ronaldo. A manutenção do 1x1 foi mais do que justa.

A prorrogação foi equilibrada e com alguns lances emocionantes. O Man Utd me pareceu “com mais pernas” do que o Chelsea. Os jogadores de azul demonstravam claramente uma fadiga maior que os de vermelho.

A decisão por pênaltis foi algo natural. E aí, o Man Utd se deu melhor. Curiosamente, dois jogadores símbolos falharam: Cristiano Ronaldo, o melhor do mundo na atualidade e artilheiro da Liga dos Campeões, demonstrou falta de convicção e perdeu; Terry, o capitão e homem referência do clube, escorregou e caiu no chão enquanto a bola batia na trave. A falha de Ronaldo foi amenizada pela conquista do título. Terry não deve ter dormido na noite de ontem.

Pela campanha geral, o Man Utd, invicto na competição, é um justo campeão. O 3º título europeu do Manchester United.

Atlas 0X3 Boca

Se tem um clube que hoje é temido em toda a América Latina, este clube tem nome e vem da Argentina: Boca Juniors.

O Boca é o maior clube das Américas. Dizer isso não é nenhum absurdo, é apenas uma constatação da realidade.

Após o empate em 2x2 em Buenos Aires, no estádio do Vélez Sarsfield em virtude da interdição da Bombonera, o mais natural seria

apontar o favoritismo dos mexicanos do Atlas na briga pela vaga nas semi-finais da Libertadores.

Entretanto, o adversário do Atlas não era qualquer um, e com o Boca Juniors na Libertadores só há uma certeza: tudo, absolutamente tudo, é possível.

Libertadores é um competição marcada pela raça e superação. E nenhum outro clube tem a raça e superação como maior referência do que o Boca.

Dá gosto de ver um jogo dos “xeneizes” na Libertadores. Por sinal, a postura “xeneize” na Libertadores é bem diferente da apresentada no campeonato argentino. É impressionante, parece que a camisa transforma os jogadores e entram em campo com uma certeza: sairão vencedores.

O jogo de ontem foi fantástico. O Atlas, 1º colocado no grupo do próprio Boca, não é um time ruim (e os 3 jogos entre os dois nesta Libertadores mostraram isso), mas os argentinos não tomaram ciência dos mexicanos no primeiro tempo.

Riquelme, mesmo machucado, estava inspirado e desequilibrou; todas a principais jogadas do Boca passaram pelos pés do craque argentino, seus passes precisos desmontavam a defesa mexicana. Palacio, mesmo em má fase, foi importante no ataque, abrindo pelas pontas, chamando a marcação e assistindo seu companheiro... Palermo, o maior artilheiro da história do clube, esteve em dia de Palermo: matador, com direito a um golaço!

Bastaram 38 minutos de jogo para o Boca acabar com a questão e garantir sua vaga nas semi-finais e permanecer na luta pelo 7º título continental e, assim, juntar-se ao Independiente no topo da lista de maiores vencedores das Américas.

No segundo tempo, o Boca, mais uma vez, deu uma aula. Aquilo não foi um jogo, foi uma exibição. Mostraram que sabem fazer gols quando é preciso, mas também segurar o resultado, levar uma partida da forma como melhor lhe apetecer.

Em resumo, o Boca não jogou ontem, deu show e é o grande favorito ao título da Libertadores da América. O 7º título continental que colocará o Boca não só no topo de campeões da América, como o juntará ao Milan como clube mais “copeiro” do mundo.

Fluminense 3x1 São Paulo

Por fim, para fechar o dia, um clássico brasileiro que valia vaga entre os 4 melhores das Américas. O confronto de tricolores: o fluminense, campeão brasileiro; e o paulista, pentacampeão brasileiro, tricampeão continental e tricampeão mundial. Fluminense x São Paulo, no Maracanã, o templo do futebol nacional.

O favorito? Muitos apontavam o tricolor paulista, São Paulo, como favorito no confronto. Os paulistas haviam vencido a primeira partida no Morumbi por 1x0 e seu currículo de títulos internacionais, o clube brasileiro mais bem sucedido internacionalmente, credenciavam o São Paulo, alguns chegaram a apontá-lo como o Boca brasileiro.

Mas Boca Juniors só o da Bombonera, o grande Boca da Argentina. E o Fluminense sabia disso, e não baixou a cabeça. Diante de 73 mil pessoas no Maracanã, não pretendia se deixar abater pelo São Paulo.

Foi um jogaço! O melhor jogo entre clubes brasileiros do ano de 2008. Ambos fizeram suas melhores partidas no ano. Até o São Paulo surpreendeu e fez uma bela partida; o São Paulo, tão pragmático, justo na noite em que deixou o pragmatismo um pouco de lado viu suas pretensões do tetra irem por água abaixo. O Fluminense, com Conca em noite feliz e Washington fazendo as pazes com o gol no momento certo, presenteou seus torcedores com uma grande exibição e uma vitória emocionante.

Emoção. É assim que podemos resumir esta partida.

Venceu o melhor? Sim. O Fluminense foi o melhor na soma das duas partidas. Praticou o futebol mais bonito e com uma vitória espetacular, já nos acréscimos, mantém viva a esperança e o sonho de ser campeão da Libertadores e se juntar a Flamengo e Vasco na galeria de campeões continentais da cidade do Rio. Futebol para continuar a sonha a torcida “pó de arroz” tem, mas a presença do Boca não permite que se sonhe tão alto, em minha opinião.

domingo, 11 de maio de 2008

Valeu, Diretoria!

O tratamento dispensado à torcida do Náutico ontem por SUA DIRETORIA foi, para dizer o mínimo, lastimável!

Se não queria ingressos de TCN e pretende elitizar o clube, não assinasse o acordo com o Governo do Estado. Simples assim.

Contudo, a partir do momento em que assinou o contrato, disponibilizou 10 mil ingressos para este programa, a DIRETORIA teria obrigação de oferecer um tratamento DIGNO e DECENTE aos seus TORCEDORES.

Não existem, SIMPLESMENTE NÃO EXISTEM, argumentos que justifiquem essa falta de respeito para com os quase 10 MIL torcedores alvirrubros que saíram de casa para ver a estréia de seu clube na 1ª divisão em 2008.

Depois, vem alguns diretores reclamar da torcida, jogar a culpa dos seus fracassos e de suas incompetências para cima dos torcedores, sob o frágil e ridículo argumento: a torcida não chega junto.

Não tem nada de errado aí, não???

Só tem MORAL para reclamar dos torcedores uma diretoria que trata seus torcedores com DIGNIDADE e RESPEITO. Quem trata os torcedores do seu clube como a DIRETORIA tratou os alvirrubros ontem, JAMAIS TERÁ MORAL PARA RECLAMAR DE SUA TORCIDA E DE LEVANTAR QUALQUER INSINUAÇÃO CONTRA ELA.

O que aconteceu ontem foi DISCRIMINAÇÃO. A Diretoria mandou um recado para os torcedores do Todos Com a Nota: vocês são distintos dos outros. São torcedores diferentes. Por conta disso, deixamos 12 (DOZE) catracas da Rua da Angustura fechadas e colocamos vocês para entrar na Rua Manoel de Carvalho, com número reduzido de funcionários para pegarem seus ingressos.

Se é para segregar os torcedores do TCN, a Diretoria SETORIZE o estádio dos Aflitos. Procure um jeito de dividir aquele estádio obsoleto em setores e organize entradas que proporcionem ao torcedor o conforto necessário para quem está em seu momento de lazer.

Agora, não faz sentido algum separar a entradas dos torcedores, criando uma clara distinção, para, depois TODOS FICAREM NO MESMO LOCAL DO ESTÁDIO.

Se todos ficaram juntos, por que a DIVISÃO, por que a APARTAÇÃO?

Não faz sentido! É INCONCEBÍVEL e INACEITÁVEL!

Muito obrigado, Diretoria do Náutico, por me fazer esperar 30 minutos em uma fila e por isso perder cerca de 25 minutos de jogo.

Muito obrigado, Diretoria do Náutico, pelo tratamento humano dispensado e pelo recado dado: EU SOU MENOS IMPORTANTE PORQUE ADQUIRI UM INGRESSO MAIS BARATO.

Tenham cuidado, para que atitudes como essas não afastem os torcedores do Clube Náutico Capibaribe.

De qualquer forma, tenho uma única certeza absoluta: O CLUBE NÁUTICO CAPIBARIBE É MUITO MAIOR DO QUE TODOS VOCÊS.

sábado, 10 de maio de 2008

Campeonato Brasileiro 2008


MÉDIAS DO BRASILEIRÃO DE PONTOS CORRIDOS

Por curiosidade, fiz um levantamento ano passado do percentual de pontos necessários para que os clubes fugissem ao rebaixamento, classificassem-se à Sul-americana ou à Libertadores, além do campeão brasileiro.

Atualizei esses números esse ano para ter noção, em tese, de quantos pontos o “meu” Náutico precisará para se livrar do rebaixamento e, quem sabe, pensar em ir à Copa Sul-americana.

Resolvi partilhar os números e as informações com todos. Só peço que se alguém for usar esses números ou as observações, dêem o devido crédito, citando a fonte.

Para se livrar do rebaixamento:

2003:

50 pontos - 46 jogos - 36,2%

2004:

51 pontos - 46 jogos - 36,9%

2005:

50 pontos - 42 jogos - 39,7%

2006:

40 pontos - 38 jogos - 35,1%

2007:

45 pontos - 38 jogos - 39,5%

Média geral dos 5 anos: 37,5%

Para 2008 pela média: +- 43 pontos

Até 2007: 36,975% +- 42 pontos


Observações:

Pela média, o clube que atingir os 43 pontos, teoricamente, está livre do rebaixamento. Porém, é bom trabalhar em cima dos 45 pontos, como margem de segurança.

O exemplo de 2007 está aí para todos se prevenirem, pela média, até então, com 42 pontos já se salvaria da degola. O Corinthians fez 44 pontos e foi rebaixado. O Goiás se livrou do rebaixamento com 45 pontos.

Entretanto, é necessária uma ressalva: o campeonato de 2007 foi um dos mais disputados da história (ainda curta) dos pontos corridos. Para se livrar do rebaixamento o clube precisou obter 39,5% dos pontos disputados, percentual mais alto do que este, só se verificou em 2005, com 39,7% em 42 jogos.

Se desconsiderarmos esses 2 anos mais “complicados”, a média é de 36,2%, o que significa algo em torno de 41 pontos.

Porém, é sempre mais prudente trabalhar com o número mais alto. A média geral é de 43 pontos, então, o clube somente deverá se sentir seguro ao chegar aos 45 pontos.


Para chegar à Sul-americana:

2003:

65 pontos - 46 jogos - 47,1%

2004:

67 pontos - 46 jogos - 48,55%

2005:

58 pontos - 42 jogos - 46%

2006:

48 pontos - 38 jogos - 42,1%

2007:

54 pontos - 38 jogos - 47,4%

Média geral dos 5 anos: 46,3%

Para 2008 pela média: +- 53 pontos

Até 2007: 46% +- 52 pontos

Observações:

Pela média, o clube que atingir 53 pontos, teoricamente, garante vaga na Copa Sul-americana. Porém, é bom trabalhar em cima dos 54 pontos, como margem de segurança.

Mais uma vez, 2007 elevou a média. Teoricamente, com 52 pontos o clube se classificaria à Sul-americana, entretanto, o Figueirense chegou aos 53 pontos e não figurou na zona de classificação à segunda competição continental. O Atlético-PR ficou com a última vaga somando 54 pontos.

Portanto, é prudente trabalhar-se com 54 pontos.


Para chegar à Libertadores:

2003:

74 pontos - 46 jogos - 53,6%

2004:

79 pontos - 46 jogos - 57,24%

2005:

70 pontos - 42 jogos - 55,5%

2006:

64 pontos (4º colocado) - 38 jogos - 56,14%

2007:

61 pontos (4º colocado) - 38 jogos - 53,5%


Média geral dos 5 anos: 55,2%


Para 2008 pela média: +- 63 pontos


Até 2007: 55,62% +- 63 pontos

Observações:

Pela média, o clube que atingir 63 pontos, teoricamente, garante vaga na Libertadores.

O campeonato de 2007 teve a média mais baixa de todos os campeonatos de pontos corridos, 0,1% mais baixa do que a de 2003 (primeiro ano dos pontos corridos, quando o Cruzeiro monopolizou o Brasileirão).

Três fatores, entretanto precisam de ser levados em consideração quando analisamos os números referentes à Taça Libertadores, a saber:

1. Possibilidade do campeão da Libertadores 2008 ser um clube brasileiro.

São Paulo, Santos e Fluminense estão na briga pelo título da Libertadores no momento. Se um deles se sagrar campeão continental, garantirá vaga automática na edição do ano seguinte. Vamos supor que o São Paulo conquiste o tetracampeonato da Libertadores, assim sendo terá vaga na Libertadores 2009; se o tricolor paulista ficar entre os 4 primeiros do Brasileirão, abrir-se-á mais uma vaga no campeonato nacional, ou seja, o 5º colocado terá acesso ao torneio continental.

2. Possibilidade do campeão da Copa do Brasil 2008 se classificar entre os 4 primeiros do Brasileirão.

O campeão da Copa do Brasil tem vaga na Libertadores. Se o clube conquistar a Copa do Brasil e ficar entre os 4 primeiros do Brasileirão, haverá mais uma vaga no campeonato brasileiro, logo o 5º colocado se classificaria. Por exemplo, o Internacional pode conquistar o bicampeonato da Copa do Brasil, garantindo-se na Libertadores, e ficar entre os 4 do Brasileirão, neste caso o 5º colocado fica com a última vaga.

3. Campeões da Copa do Brasil e Libertadores 2008 ficarem entre os 4 primeiros.

Nessa situação, inédita até o presente, surgiriam mais duas vagas no Brasileirão, no caso para o 5º e o 6º colocados. A priori pode-se imaginar improvável, mas é possível que, por exemplo, o São Paulo seja tetracampeão da Libertadores e o Internacional bicampeão da Copa do Brasil e ambos fiquem entre os 4 primeiros no Brasileirão, posto que são apontados como dois favoritos no campeonato brasileiro que hoje se inicia.

Em 2006 e 2007, aconteceu de o 5º classificado ter acesso à Libertadores.

Em 2006, o Internacional, campeão da Libertadores, foi o vice-campeão brasileiro e possibilitou que o 5º classificado Paraná pudesse disputar a pré-eliminatória da Libertadores.

Em 2007, por sua vez, o Fluminense, campeão da Copa do Brasil, classificou-se em 4º lugar no Brasleirão, permitindo ao 5º colocado, o Cruzeiro, disputar a pré-eliminatória da Libertadores.

Contudo, trabalhamos com a média para o 4º lugar. Ou seja, existe a possibilidade de se classificar para a Taça Libertadores da América com pontuação abaixo da média, fato que ocorreu, por sinal, nos últimos 2 anos, pelos motivos acima expostos.


Média de pontos dos CAMPEÕES:

2003:

100 pontos - 46 jogos - 72,4%

2004:

89 pontos - 46 jogos - 64,5%

2005:

81 pontos - 42 jogos - 64,28%

2006:

78 pontos - 38 jogos - 68,42%

2007:

77 pontos - 38 jogos - 67,5%


Média geral dos 5 anos: 67,4%

Para 2008 pela média: 77 pontos

Até 2007: 67,4% 77 pontos

Observações:

Pela média, para se sagrar campeão o clube tem que mirar todos os seus alvos em 77 pontos, ou seja, um aproveitamento de 67,4%.

Curiosamente, esta média se manteve igual ao ano passado. O São Paulo cravou os 77 pontos na conquista do seu pentacampeonato nacional, o segundo clube a conquistar tal marca no Brasil, após o Flamengo.

Porém, essa estatística não é tão precisa, pois a pontuação mínima para se sagrar campeão depende muito mais do nível de equilíbrio (ou desequilíbrio) do campeonato.

Em 2003 o Cruzeiro dos 100 pontos em 2003 sobrou à frente de todos os outros e levantou a terminou o campeonato 13 pontos à frente do Santos, vice-campeão. 2003 registra a média de aproveitamento mais alta de um campeão: impressionantes 72,4%.

Em 2004 houve um certo equilíbrio, três clubes terminaram separados por apenas 7 pontos de diferença. O campeão Santos fez 89 pontos, contra 86 do vice Atlético-PR e 82 do 3º São Paulo. 2004 registra a segunda média de aproveitamento mais baixa de um campeão: 64,5%, fruto, evidente, do equilíbrio.

O campeonato de 2005 ficou marcado por duas palhaçadas extra-campo, onde o grande palhaço foi o torcedor brasileiro: o caso Edílson e o “erro” do árbitro no decisivo jogo Corinthians x Internacional. Beneficiado (coincidência, acaso ou sorte?) tanto pelo “caso Edílson”, quanto pelo “erro” do árbitro, o Corinthians, injustamente, ficou com o título em detrimento do Internacional. Os paulistas conquistaram 81 pontos, os gaúchos 78. 2005, não à toa, registra a média mais baixa de um campeão: 64,28%.

Os campeonatos de 2006 e 2007 foram muito parecidos. Bipolarizados até certo ponto da competição, para, já nas rodadas finais o São Paulo se desgarrar e rumar firme em direção ao título.

Em 2006, os são-paulinos obtiveram 68,42% de aproveitamento, com 78 pontos, 9 a mais que o vice-campeão Internacional.

Em 2007, por sua vez, foram 67,5% de aproveitamento, 77 pontos. Embora com um ponto a menos do que em 2006, os tricolores tiveram uma folga muito maior, foram 15 pontos de avanço ante o vice-campeão Santos.

Ficam aí os números e observações. Acredito que seja útil, de alguma forma, para quem gosta de futebol.

E deixa eu ir me arrumar, pois daqui a pouco estarei nos Aflitos para ver o Náutico vencer o Goiás. :-)

terça-feira, 15 de abril de 2008

Futebol: Regulamento omisso e outras


Vamos falar um pouco sobre o futebol pernambucano.

Regulamento omisso.

Primeiramente, falarei a respeito de algo que tem sido discutido desde o último domingo e que a impensa local noticiou como se fosse algo extraordinário.

É o caso do Santa Cruz, supostamente, estar em 3º lugar na classificação geral do campeonato pernambucano 2008. O Santa Cruz, pessoal, que disputa o Hexagonal do Descenso, conhecido como Hexagonal da Morte, ou seja, aquele que reúne os 6 piores clubes do campeonato.

Alguém minimamente racional irá fazer a pergunta: se ele disputa o hexagonal dos piores, como pode figura em 3º lugar no geral, incluindo os melhores?

Pois é, coisas deste campeonato pernambucano esdrúxulo. Um torneio em que não houve clássicos no 1º turno e que, por conta de sua peculiaridade (vamos dizer assim), tirou ao Santa Cruz o direito de disputar clássicos em 2008.

Agora surge essa questão que, de certa forma, é polêmica. A imprensa informa, com um estranho tom de comemoração, que o Santa Cruz é o 3º lugar no geral. Muitas pessoas já repetem esse inusitado e incoerente fato, aceitando-o como se fosse verdade, sem, como de costume, questionar e raciocinar antes de repetirem algo que lêem, ouvem ou vêem na imprensa.

Vamos aos fatos.

Eu já tinha lido o regulamento da competição e não me recordava de ter visto algo a respeito do assunto agora em voga.

Por conta disso, li e reli o tal regulamento e cheguei à seguinte conclusão:

Há OMISSÃO com relação à classificação geral do campeonato ao final do 1º e 2º turnos e isso passa como ficarão os clubes tanto do Hexagonal do Título (os 6 melhores) quanto do Hexagonal do Descenso (os 6 piores, onde se encontra o Santa Cruz).

O regulamento não fiz expressamente que os clubes do Hexagonal do Título serão os 6 primeiros colocados ao final do campeonato, bem como não faz referência aos clubes do Hexagonal do Descenso figurarem entre os 6 melhores ao final de toda a competição.

Como eu disse acima, qualquer pessoa com a mínima capacidade racional irá questionar a carência de lógica no fato de um time que disputa o Hexagonal do Descenso (ou seja, dos PIORES) possa ficar à frente de um time que dipusta o Hexagonal do Título (ou seja, dos MELHORES).

Isso não faz sentido algum. Um clube que tem a chance de disputar o título do 2º turno não pode ficar, ao final do campeonato, atrás do clube que disputa para não ser rebaixado à Segunda Divisão estadual. Coisa de louco ou de quem acha que todos são idiotas!

E essa questão se reflete na disputa pelas 3 vagas de Pernambuco na Série C de 2008. O futebol pernambucano tem 3 vagas de acesso à Série C e o campeonato pernambucano é o torneio "classificatório" para esta competição nacional. O Santa Cruz já está garantido na "terceirona", posto que foi rebaixado da Série B. Então, as 3 vagas estão em jogo e quais clubes ficarão com elas? Os que disputam o Hexagonal do Título, que estão entre os 6 melhores ou todos os clubes, incluindo aqueles do Hexagonal do Descenso, dos 6 piores?

Atualmente, na teoria, as 3 vagas vão para:

Central - 28 pontos
Salgueiro e Ypiranga - 26 pontos

Todos do Hexagonal do Título.

Acontece que o Petrolina, do Hexagonal do Descenso, tem 25 pontos. Portanto, é possível que nas duas últimas rodadas o Petrolina ultrapasse Salgueiro ou Ypiranga, ou mesmo os dois clubes. E aí, o Petrolina, do Hexagonal dos piores, ficará com uma vaga na Série C em detrimento de um clube que disputou o Hexagonal dos melhores?

Bem, pela lógica da imprensa pernambucana, sim. Pois se o Santa é o 3º lugar geral do campeonato, logo o Petrolina também ficaria à frente de um ou dos dois clubes supra citados.

Ocorre que:

1. O regulamento é omisso quanto a este ponto.

2. Isso não faz, como já foi dito, o menor sentido.

E de quem é a culpa?

Do gênio que criou este regulamento criticado por todos os torcedores. Dos dirigentes de TODOS OS CLUBES que aprovaram, por unanimidade, este regulamento tosco e esdrúxulo.

Se há omissão, o que fazer?

Vamos ao Art. 72 do genial regulamento, pois é nele que se encontra a base para dirimir qualquer dúvida gerada por omissão. O citado artigo diz, ipis literis:

Como em meu entendimento há omissão, acredito que a FPF terá que se pronunciar a respeito.

Assim sendo, a FPF terá duas opções:

1. Redimir-se um pouco da besteira que fez ao estragar o campeonato pernambucano com este regulamento tão criticado.

2. Manter a insensatez e aumenta ainda mais a besteira.

Torço para que haja lógica e que vença o bom senso.

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Náutico consegue aumento da "Cota da TV".

O Náutico conseguiu um aumento de sua cota de televisão do campeonato brasileiro 2008. Pulou de R$3,2 milhões para R$5,5 milhões (embora as notícias sejam conflitantes, muitas falam em R$3 mi e R$5 mi, enfim...).

O clube bateu o pé em janeiro deste ano e disse que não assinaria o acordo se fosse receber as migalhas que recebera pelo campeonato do ano passado. Os argumentos eram simples e diretos:

1. Com essa cota o clube estaria condenado ao rebaixamento ou, na melhor das hipóteses, à briga contra o rebaixamento (assim como em 2007).

2. Não era justo receber em 2008 o mesmo valor recebido em 2007. Se em 2007 o valor já era injusto se comparado a todos os outros clubes, o que dizer a respeito de receber o mesmo valor sendo o seu segundo ano consecutivo na 1ª divisão? Não fazia sentido e nem era justo.

Graças à postura firme da Diretoria e com a ajuda de Congressistas pernambucanos torcedores do Náutico, o clube conseguiu, após meses de discussões, reuniões e resistência, o aumento na sua cota. Mas a que custo foi concedido este aumento? Quais teriam sido os argumentos dos "nossos" congressistas junto ao presidente da CBF e da rede de televisão detentora dos direitos do campeonato brasileiro? Ficam os questionamentos, as dúvidas.

De qualquer sorte, R$5,5 milhões é muito melhor que R$3,2 milhões, mas continua a ser migalha. O Náutico deixou de ser o clube com pior cota, ao lado do Ipatinga, para ser o clube com a segunda pior cota do brasileirão 2008.

O Náutico tem cota pior do que o Bahia, que está na Série B do campeonato brasileiro. Isso para não falar do Corinthians, que ano passado foi rebaixado com cota quase que 10 vezes superior à do Náutico, e que este ano negociou com a tal rede de televisão e irá receber quase 6 vezes mais que o Náutico.

Eita que a Série B é muito boa, hein? Ou será que existe algo de muito errado nessa divisão do gordo e apetitoso bolo do dinheiro da "TV"? O que me causa mais estranheza é que são poucos os jornalistas e críticos a questionarem essa situação. Ou alguém já viu algum jornalista de projeção nacional escrever ou falar sobre este assunto? Ninguém questiona, ninguém discute. Até os paladinos da imprensa esportiva brasileira analisam o campeonato brasileiro e falam dos clubes como se todos estivessem em pé de igualdade.

Agora temos novidades. Dizem por aí que a partir de 2009 a divisão da "cota da TV" será mais justa, baseada em critérios mais transparentes e técnicos. Especula-se que alguns fatores serão determinantes na divisão do bolo de dinheiro da "TV", a saber:

- Média de público nos estádios.

- Transmissões pela TV.

- Desempenho no campeonato brasileiro.

Torcemos para que isso ocorra. São critérios mais cristalinos e justos. Receberá mais aquele que levar mais público aos jogos, que tiver mais transmissões pela TV (o que é lógico e ocorre em países da Europa, mas porque nunca questionaram isso por aqui? Vai saber...) e que for melhor no campeonato, ou seja, dentro de campo. Enfim critérios técnicos prevalecerão e deixarão de lado a mera vontade de um grupo ou o interesse de uns em detrimento de outros.

Em se tratando de Brasil, surge a pergunta: será???

Esperamos que sim.

Assim sendo, eu lanço dois questionamentos com relação ao Clube Náutico Capibaribe:

- Será que a Diretoria irá revelar, finalmente, o público real dos jogos?

Os comentários entre todos os torcedores é que o público real sempre é omitido e o anunciado oficialmente é encolhido. Isso fica aparente em muitos jogos, quem é acostumado a ir ao Estádio dos Aflitos custa a acreditar no público anunciado oficialmente. Eu sempre tenho minhas dúvidas, mas são apenas dúvidas, afinal quem irá afirmar tal coisa?

Temos aí uma boa chance de, finalmente, acabarmos com essa dúvida.

Mas aí poderá surgir uma nova dúvida, que é o meu segundo quesionamento:

- Será que vamos ver um fenômeno inverso, ao invés de encolher o público anunciado oficialmente, haverá um inchaço?

Se todos questionam os públicos anunciados até hoje, sempre por acharem que vão mais pessoas aos jogos do que o anunciado, deve ser porque exista certa facilidade em não se anuciar o público real.

Portanto, se há esta facilidade, ela também poderá se verificar ao contrário a partir de agora. Se ter mais público é o que interessa, o que impediria de haver um inchaço?

O tempo nos dirá.