domingo, 2 de setembro de 2012

Para discutir mais seriamente o Recife


Emanuel Leite Jr.


Délio Mendes, 70 anos, é um professor universitário aposentado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (Ufrpe). Bacharel em Ciências Sociais e Doutor em Ciência Política e Sociologia pela Universidad de Deusto (Espanha), Délio é um militante político há 54 anos que agora, de volta ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), resolveu se lançar candidato ao cargo de vereador na Câmara Municipal do Recife. Sua candidatura tem como propósito “ocupar um pequeno espaço para falar de um novo Recife e poder discutir mais seriamente a nossa cidade”, afirmou Délio.

Conheci Délio nos tempos da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), onde fui seu aluno na disciplina de Ciências Políticas, quando cursei Bacharelado em Direito. Descobri, através do Facebook, que Délio era candidato a vereador. Entrei em contato por telefone e marquei para que nos encontrássemos em sua casa. A entrevista ficou marcada para a terça-feira, dia 28 de agosto, às 8h. Cheguei ao prédio dele pontualmente. E lá estava Délio me aguardando. “Entre, sinta-se à vontade. Vamos conversar sobre política”, convidou-me para o diálogo, como nos tempos de Unicap.

Alguns dos 54 anos de militância política de Délio foram dedicados ao Partido Popular Socialista (PPS), fundado em 1992, que pretendia ser uma continuidade renovadora do “Partidão” (PCB), após a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética. “Em um primeiro momento, o PPS conseguiu exercer o seu papel de crítica na esquerda”, começou por avaliar. “Mas, infelizmente, com o tempo, o partido se dirigiu para a direita. Para mim, tornou-se muito difícil ver o PPS de braços dados com políticos que sempre combati”, analisou. “Hoje, o partido é praticamente uma linha auxiliar do PSDB”, finalizou, explicando seu rompimento com o PPS há cinco anos e retorno ao PCB.

A volta ao PCB, na avaliação do professor, foi um caminho natural, como quem volta para a casa. “Hoje o PCB é realmente o meu partido, o meu lugar. Acredito, cada vez mais, que o socialismo é o caminho a ser seguido, para consolidarmos uma sociedade comunista”, ponderou Délio.

É neste contexto ideológico, o da crítica de esquerda em um país governado “por um PT que tem áurea de esquerda, mas que, na prática do poder, não é de esquerda”, que Délio insere a sua candidatura. Ele busca, junto com a Frente de Esquerda (PCB/PSOL), “sair das discussões banais, debater a sociedade brasileira, pernambucana e, principalmente, a recifense a partir da perspectiva marxista”, sustentou.

O PCB tem como candidato à prefeitura Roberto Numeriano. O slogan da campanha da Frente de Esquerda é “O Recife tem dono. O dono é o povo”. Recentemente, quando iniciaram as transmissões dos guias eleitorais, surgiu algo curioso. Daniel Coelho, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), apresentou um jingle em que apresenta “Recife não tem dono. O Recife é do povo”. Na visão de Délio, o PCB não deveria dar muita importância para este tema. “O que nos interessa é apresentar nossas propostas. Mostrar que estamos dispostos a debater os verdadeiros problemas do Recife”, comentou.

Para Délio, a verdadeira discussão não pode se limitar a construções de viadutos ou de ruas. “São coisas importantes, claro. Mas temos que ir além”, observou. “Por exemplo, os empresários de transporte coletivo lucram cada vez mais, enquanto o usuário, que é o trabalhador, está cada vez mais prejudicado, com um serviço precário e que piora a cada dia”, citou. Na visão dele, em nossa cidade, não se discute o problema do transporte coletivo da mesma forma como se discute o individual.

“Os pobres sempre saem perdendo no combate cotidiano. Cheias, chuvas, por exemplo. Por que os mais prejudicados sempre são as pessoas com renda menor de dez salários mínimos?”, criticou Délio, na expectativa de que o povo recifense reflita sobre as suas reais necessidades.

domingo, 8 de abril de 2012

Sepultura inicia turnê norte-americana na terça-feira



Depois de uma maratona de shows no Leste Europeu (15 apresentações em 19 dias, passando por cinco países - sobre esta tour: http://emanuel-junior.blogspot.com.br/2012/04/sepultura-encerra-hoje-bem-sucedida.html), a banda brasileira Sepultura inicia nesta terça-feira, dia 10 de abril, a turnê norte-americana de divulgação de seu álbum mais recente, “Kairos”. A “North American Kairos Tour 2012”, que passará por 21 cidades dos Estados Unidos e do Canadá em 22 dias, contará, também, com a participação das bandas Death Angel, Krisiun e Havok. O primeiro show ocorrerá em Santa Ana, na Califórnia.

Esta será a segunda turnê do Sepultura na América do Norte no espaço de um ano. Desta vez, os brasileiros apresentarão o álbum “Kairos” aos norte-americanos. Sobre o assunto, o guitarrista Andreas Kisser comentou, em exclusividade para o nosso blog, “a tour do ano passado já foi excelente e o KAIROS ainda não tinha saído. Agora, com o disco mais conhecido [pelos fãs], vai ser ainda melhor”.

O Sepultura foi a primeira banda brasileira a se aventurar fora do país e a ser bem-sucedida em suas aspirações. Desde 1989, quando excursionaram pela Europa ao lado dos alemães do Sodom, nunca houve a oportunidade de fazer uma digressão junto com outra banda brasileira. Na “North American Kairos Tour 2012” eles terão essa possibilidade, já que os gaúchos do Krisiun estão no cast da turnê.

Andreas se mostrou bastante entusiasmado com o fato de ter o Krisiun ao lado do Sepultura. “Finalmente nós teremos uma banda do Brasil com a gente, especialmente uma banda que está muito bem internacionalmente, é fantástica no palco e são grandes amigos, tenho certeza que vamos curtir muito. Vai ser histórico”, finalizou, empolgado, o músico.

Além das expectativas do Andreas Kisser, colhemos também a opinião de Jason Korolenko, fã do Sepultura de longa data e que está escrevendo um livro sobre a história da banda, cujo título é “Relentless” (que é o título de uma das músicas do “Kairos” e significa implacável, em português).

Jason Korolenko, escritor, 36 anos de idade, da cidade de Laconia (Nova Hampshire), já garantiu ingressos para três shows (nas cidades de Burlington, Pawtucket e Albany) e ainda cogita a possibilidade de ir a outros dois (em Nova Iorque e em Montreal, Canadá). Ele nos disse que está muito feliz pelo fato de ver o Sepultura novamente nos EUA em tão curto espaço de tempo (apenas um ano após a sua última turnê no país) e tem “a certeza de que os shows serão legendários”.

A “North American Kairos Tour 2012” começa no dia 10 de abril, em Santa Ana (Califórnia), na costa oeste dos Estados Unidos, e vai até o dia 01 de maio, encerrando-se na cidade de Jermyn, estado da Pensilvânia (costa leste). Sobre esta maratona de shows (mais uma logo na sequência da turnê do Leste Europeu) e questionado como fazia para aguentar o ritmo intenso e acelerado do Sepultura, Andreas falou “eu amo o que faço, aí as coisas ficam mais fáceis”. E os fãs agradecem tamanha dedicação ao Sepultura e à música.

sábado, 7 de abril de 2012

Sepultura encerra hoje bem-sucedida turnê no Leste Europeu



Os brasileiros do Sepultura encerram hoje, 07 de abril, em Minsk (capital da Bielurrússia), uma maratona de 15 shows em 19 dias na bem-sucedida “Kairos Eastern European Tour”, a turnê de divulgação de seu mais recente álbum, “Kairos”, no Leste Europeu.

Ao todo, a banda passou por cinco países – Letônia, Estônia, Finlândia, Bielorrússia e Rússia. Foi na Rússia onde eles fizeram mais apresentações, 11 no total, algo inédito na já longa carreira do grupo, que comemorará 28 anos de existência em dezembro de 2012.

Em meio à correria de tantos shows seguidos, com viagens em aviões não tão seguros ou uma travessia pela Sibéria no trem transiberiano, além de tardes de sessões de autógrafos em diversas cidades russas, o guitarrista Andreas Kisser encontrou um tempo em sua agenda para falar com o nosso blog a respeito da turnê.

Andreas nos disse que a turnê foi muito boa, celebrando o fato de os fãs terem recebido muito bem as cinco músicas do “Kairos” (“Kairos”, “Relentless”, “Dialog”, “Mask” e “Just One Fix”) que eles tocavam a cada show. “As músicas novas estão funcionando muito bem, eles conhecem bem o material novo assim como toda a história [do Sepultura]”, contou Andreas ao nosso blog.

Sobre a Rússia, em específico, Andreas se mostrou satisfeito em terem feito uma série extensa de shows por todo o país e, também, com a recepção dos fãs russos, “muito intensos”, segundo descreveu.

Para além das questões mais diretamente ligadas à música, Andreas concedeu, em exclusividade ao nosso blog, suas impressões acerca das mudanças na Rússia e Letônia, países em que o Sepultura tocou pela primeira vez em 1992 (poucos meses depois da ruptura da União Soviética), para a realidade dos dias atuais, 20 anos depois da queda do império soviético – “mudou tudo, tudo mesmo. O astral é bem mais leve hoje em dia e os países parecem ser outros. Há 20 anos, o muro tinha acabado de cair e as coisas estavam muito difíceis, pobreza geral e um sentimento de confusão, de ‘e agora?’. Hoje os países estão com uma bela estrutura”, disse.

Depois da maratona pelo Leste Europeu, não pense que a banda voltará ao Brasil para descansar. No dia 10 de abril o Sepultura dará início a mais uma série de shows, desta vez será a “North American Kairos Tour 2012”, em que o grupo fará 21 shows em 22 dias, passando pelo Canadá e pelos EUA.

PS. Foto de Derrick Green, retirada da página do Facebook do vocalista do Sepultura.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

A Rosa Púrpura do Cairo - Análise crítica à indústria cultural



Em “A Rosa Púrpura do Cairo” Woody Allen busca discutir o cinema e a sua relação com o espectador; abordando o modo como o cinema, ao reproduzir (de forma fantasiosa) a realidade, ilude o espectador e leva ao seu público o entretenimento através da “magia” e da fantasia.

Woody Allen levanta, em certas passagens do filme, a dicotomia: realidade x ficção. O cinema é a representação do real; o cinema recorre à ficção para criar um mundo “novo”, que representa, de seu modo, a realidade; porém, o cinema não é a realidade.

Além disso, Woody Allen trabalha magistralmente o tema da indústria cultural. O cinema, como manifestação artística que é, encontra-se inserido dentro da grande indústria do entretenimento e, portanto, é parte da indústria cultural.

Nota-se o tom crítico do autor em relação à indústria cultural em diversas cenas do filme. Por exemplo, quando os personagens do filme, “presos” na tela, discutem quem tem o papel mais importante, sendo que a perspectiva, na discussão, gira em torno do consumo, na medida em que os personagens medem suas importâncias sob o ponto de vista meramente comercial – quem venderia mais ingressos, ou seja, quem daria mais lucro à indústria cultural.

Há outra cena em que a crítica de Allen à engrenagem da indústria cultural fica bastante evidente. É quando os responsáveis pelo filme, representando os proprietários dos estúdios em seus anseios, afirmam que a opinião dos jornalistas seria favorável a eles e deixam claro que compraram esse posicionamento amistoso dos jornalistas, pois dizem que custou caro, mas que conseguiram ter os jornalistas ao seu lado.

Nesta cena, fica subentendido que os jornalistas não fariam críticas contundentes à situação e, portanto, não haveria grande contestação ou cobrança em relação ao fato inusitado da fuga de um dos personagens, que estava “foragido” na vida real. A Teoria Crítica da Escola de Frankfurt define esta situação como homogeneização da opinião pública, enquanto Noam Chomsky, no mesmo sentido, fala em “consentimento manufaturado. Woody Allen, portanto, na cena em questão, demonstra claramente como é possível se criar um consentimento em torno de um tema, possibilitando que a opinião generalizada seja homogênea, igual e favorável aos interesses daqueles que detêm o poder econômico e influência na esfera da comunicação social.

Tom, o “foragido”, é um personagem que representa alguém que é aventureiro, explorador, pesquisador (é um arqueólogo), mas, ao mesmo tempo, é também uma figura romântica, poética e, por isso, bastante encantadora.

Viver no mundo real, para Tom, seria inviável e insustentável. Tom é um personagem e, portanto, é condicionado em suas ações pela pré-definição de seu personagem. Ele age, em determinadas situações, de forma condicionada, quase que automatizada. É como se fosse um animal agindo por instinto, ou seja, sem a capacidade racional que diferencia os homens – poder escolher, agir por conta própria, tomar suas próprias decisões.

Inclusive, há uma cena em que um dos personagens, “preso” na tela, diz a Cecília que ela tem que se decidir – entre Tom e Gil – e afirma que poder escolher é uma das grandes virtudes do Homem. Isto é racionalidade. Isto é que nos permite viver em sociedade. E esta era a grande lacuna de Tom, um personagem, condicionado às características definidoras e delimitadoras do seu personagem. Por isso, Tom não viveria no mundo real.

Cecília, por seu turno, mulher que sofre maus-tratos do seu marido, suportando agressões físicas e psicológicas (devastadoras para qualquer pessoa). Trabalhadora, sustenta a casa, em período de grande depressão econômica,  com o suor de seu esforço.

Para Cecília, ir ao cinema, e entrar no mundo de magia e fantasia criado pelos filmes, era uma forma de fugir à (sua dura) realidade, uma maneira, levada pela ilusão, de se sentir feliz e confortada.

Gil, o ator que interpreta Tom no filme, prometeu a Cecília que a levaria com ele para Hollywood. Contudo, Gil não cumpriu a sua promessa, deixando Cecília em Nova Jérsei, sem, sequer, despedir-se dela.

No breve relacionamento entre Cecília e Gil, o ator interpretou um personagem na vida real, foi um “ator social” contracenando um determinando papel em uma situação específica de sua convivência social. Gil pretendia que Tom, seu personagem, retornasse para a tela e, a fim de lograr êxito em seu intuito, usou Cecília como meio de convencimento de Tom.

Cecília, ao se dar conta de mais uma desilusão em sua vida, abandonada por Gil, o escolhido por ela, volta à sala de cinema e o filme termina com Cecília assistindo a mais uma obra cinematográfica.

Voltar ao cinema, para Cecília, é retornar ao seu ponto de escape da realidade, é voltar ao local da fantasia, da ilusão. O cinema é o único local em que Cecília pode encontrar a felicidade, em contraponto à dureza de seu cotidiano. Ela busca na fantasia a ficção o conforto que não encontra em sua vida, na dificuldade do seu mundo real.

Nesta cena final, mais uma vez, temos a crítica de Woody Allen à indústria cultural. É que Cecília vai ao cinema no mesmo dia em que fora abandonada por Gil e assiste ao filme que substituiu, imediatamente, aquele em que Gil interpretava Tom e que havia dado problema.

Ou seja, a indústria cultural trata a arte como uma mera mercadoria, onde há, lembrando os ensinamentos de Pierre Bourdieu, uma autonomização progressiva do sistema de produção, circulação e consumo dos bens culturais, bens estes já tratados como meras mercadorias em que a produção dos bens simbólicos destina-se a um mercado consumidor, que possui demandas específicas.

Cecília, ávida consumidora de filmes, que busca na magia do cinema o conforto que não tem em sua vida real, é levada, pela indústria cultural, a consumir mais um filme, um bem que perde seu valor artístico em prol do seu valor comercial e visa a atender, exclusivamente, às necessidades da indústria do cinema, da indústria cultural.

Ficha técnica:

Título Original: The Purple Rose of Cairo
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 81 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1985
Estúdio:
Distribuição: Orion Pictures Corporation
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Produção: Robert Greenhut
Direção de Fotografia: Gordon Willis
Desenho de Produção: Stuart Wurtzel
Direção de Arte: W. Steven Graham e Edward Pisoni
Figurino: Jeffrey Kurland
Edição: Susan E. Morse


 Elenco
Mia Farrow (Cecilia)
Jeff Daniels (Tom Baxter / Gil Sheperd)
Danny Aiello (Monk)
Irving Metzman (Administrador do cinema)
Stephanie Farrow (Irmã da Cecilia)
Edward Herrmann (Henry)
John Wood (Jason)
Deborah Rush (Rita)
Van Johnson (Larry)
Zoe Caldwell (Condessa)
Eugene J. Anthony (Arturo)
Karen Akers (Kitty Haynes)
Annie Joe Edwards (Delilah)
Milo O'Shea (Padre Donnelly)
Camille Saviola (Olga)
Juliana Donald (Usherette)
Dianne Wiest (Emma)

segunda-feira, 26 de março de 2012

(A pobreza d)os números do FC Porto de Vitor Pereira



Um amigo fez o levantamento de alguns números relacionados ao trabalho do Vitor Pereira à frente do FC Porto.

Achei interessante analisá-los.

Vamos a eles.

O FC Porto, até o momento, já realizou 40 jogos oficiais na temporada 2011/12, venceu apenas 24 vezes, empatou 8 e perdeu 8 (!!!).

Campeonato - 24 (17v, 6e, 1d)
Taça de Portugal - 2 (1v, 1d)
Taça da Liga - 4 (3v, 1d)
Supertaça Portuguesa - 1 (1v)
Supertaça Europeia - 1 (1d)
Liga dos Campeões - 6 (2v, 2e, 2d)
Liga Europa - 2 (2d)

Total: 40 jogos

V - 24 (60%)
E - 8 (20%)
D - 8 (20%)

O número de vitórias representa apenas 60% dos jogos realizados. Isso quer dizer que o Porto só venceu 6 jogos a cada 10 que realizou (algo inaceitável para um clube do nível do Porto).

Os azuis e brancos, sob o comando de Vitor Pereira, marcaram 79 gols, o que dá uma média de 1,98 gol por jogo. 

Se desconsiderarmos os 8 gols marcados ao fraquíssimo Pêro Pinheiro, ficamos com 71 gols em 39 jogos, uma média de 1,8 gol por jogo.

Pior ainda são os gols sofridos: 40. Ou seja, 1 gol por jogo! Certamente é uma das piores médias de gols sofridos nas últimas três décadas.

Se formos comparar com a época passada, aí é que a situação fica mesmo constrangedora.

58 jogos, 49 vitórias (!!!), 5 empates e 4 derrotas. 145 gols marcados e 42 sofridos.

84% de vitórias; uma média de 2,5 gols marcados por jogo; e apenas 0,72 de gols sofridos. 

Em termos de gols sofridos, este ano o Porto já foi batido 40 vezes em 40 jogos, quase o mesmo número de gols sofridos em 58 (!!!) jogos no ano passado, que foram 42 - ou seja, apenas 2 gols a mais para 18 jogos de diferença (o que é um absurdo).

Então, paramos e olhamos para o onze "base" da temporada passada:

Helton - continua
Sapunaru/Fucile - Fucile só saiu em janeiro, Sapunaru continua
Rolando - continua
Otamendi - continua
Álvaro Pereira - continua
Fernando - continua
João Moutinho - continua
Guarín/Belluschi - saíram em janeiro, tivemos o reforço Defour (seleção belga) em agosto e a chegada de El Comandante, Lucho González, em janeiro
Hulk - continua
Falcao - SAIU
Varela/James - continuam

Quer dizer, basicamente, em comparação ao ano passado, apenas uma coisa mudou: o treinador.

Mas, colocando alguns números em contraposição, temos:

Vitórias: 60% x 84%
Gols marcados: 1,98 gol por jogo x 2,5 gols por jogo
Gols sofridos: 1 gol por jogo x 0,72 por jogo
Derrotas: 8 (2 a cada 10 jogos) x 4 (em 58 jogos, menos de 1 derrota a cada 10, em termos percentuais)

Esses são os números.

E apenas os números.

É que se não bastassem a pobreza dos números, ainda constatamos a pobreza do futebol apresentado, a falta de fio de jogo quando se está a 6 jogos do fim da temporada e o completo caos tático em diversos jogos e/ou diferentes momentos dos jogos ao longo de toda a temporada.

Em suma, é um verdadeiro pesadelo para todos os portistas.

Admiro-me como o presidente, Pinto da Costa, que recentemente foi premiado internacionalmente como o maior presidente de clubes do mundo, mantém este treinador tão incompetente à frente do  FC Porto. 

Diria que é inacreditável e incompreensível que este treinador vá terminar a temporada comandando o time do Porto. 

quinta-feira, 15 de março de 2012

Athletic Bilbao - o ícone de um povo



Hoje o Athletic Bilbao eliminou o Manchester United na Liga Europa e chegou aos quartos-de-final de uma competição europeia pela primeira vez em 35 anos. Por conta disto, resolvi atualizar (e, também, melhorar, com mais informações) um texto que escrevi há cerca de dois anos e meio, apresentando este clube tradicional no futebol espanhol e singular, por tudo o que representa, em todo o mundo.

Apresento-vos um clube de futebol cujo significado vai muito além do futebol. O Athletic Club Bilbao, ou, simplesmente, Athletic Bilbao não é apenas um clube, não é mais um time como tantos outros que existem no mundo do futebol moderno. O Athletic Bilbao é um ícone, o símbolo emblemático da identidade de seu povo. O Athletic é a expressão de um povo, é a representação de uma causa, de uma luta... Luta por liberdade e autodeterminação.

O Athletic Bilbao é um clube basco, ou seja, situa-se na região do chamado País Basco, na Espanha. Os bascos travam uma luta histórica contra o poder central de Madrid há séculos, e esta luta ganhou um corpo nacionalista nos fins do século XIX, com a fundação de grupos nacionalistas bascos.

Em plena ditadura fascista de Franco, o povo basco e sua região foram massacrados pela opressora força da ditadura franquista. Mas o povo permaneceu na luta, e o Athletic Bilbao se manteve de pé.

O Athletic Bilbao, desde o ano de 1911, prima por um princípio básico: só veste o manto vermelho e branco quem nasce na denominada Euskal Herria, a terra dos bascos. Isso compreende o País Vasco (região autônoma espanhola), Navarra e Iparralde (País Vasco francês) - um exemplo de um jogador francês é Bixente Lizarazu, campeão do Mundo com a seleção francesa de 1998, nascido na região basca francesa (Iparralde), e que jogou pelo Athletic (temporada 1996/97).

Além disso, também são aceitos jogadores DESCENDENTES de bascos (como é o atual caso do venezuelano Fernando Amorebieta, que joga, inclusive, pela seleção vinotinto; ou do brasileiro Vicente Biurrun, que atuou no Athletic entre 1986 e 1990) e jogadores FORMADOS no território basco, nas "canteras" de algum clube basco (como o goleiro Aranzubia, por exemplo, de La Rioja, formado no Athletic e que defendeu o clube até o ano de 2008).

Recentemente, Jonás Ramalho se tornou o primeiro negro a atuar pelo Athletic. Jonás é basco, filho de uma basca com um angolano. A sua atuação na vitória frente ao Sevilla em 20 de novembro de 2011 pôs fim a um mal entendido (digamos assim) por parte de alguns, que creditavam a ausência de negros no Athletic a uma questão racial (o que nunca correspondeu à realidade, já que este fato era fruto exclusivo da política de contratação nacionalista do clube).

Em suma, só quem for da Euskal Herria (ou descendente daqueles nascidos no que os bascos denominam de Euskal Herria) ou tiver sido formado nas “canteras” de algum clube basco, é que pode jogar pelo Athletic.

Fundado em 1898, o centenário Athletic é um dos clubes mais tradicionais da Espanha. Falando em sua fundação, é preciso fazer uma observação: o clube considera a sua origem em 1898, porém a sua atual versão remonta a 1903, a quando da fusão de dois outros emblemas bilbaínos – Athletic Club (de 1898) e Bilbao Football Club (de 1900).

Os leones jamais caíram para a segunda divisão, sempre estiveram na elite do futebol espanhol (só três clubes nunca desceram de divisão na Espanha: Athletic Bilbao e a "dupla de ferro", Real Madrid e Barcelona). 


O seu estádio, San Mamés, é um dos mais antigos da Espanha e o único a receber jogos em todas as edições da primeira divisão espanhola (entretanto, já está em construção um novo estádio, denominado San Mamés Barria – Novo San Mamés, em basco).

No ranking histórico da primeira divisão espanhola, o Athletic Bilbao é o 3º colocado, ou seja, na pontuação geral de todas as edições do campeonato espanhol, o Athletic só fica atrás dos milionários Real Madrid e Barcelona.

A maior goleada aplicada em jogos do campeonato espanhol pertence ao Athletic e não foi contra um adversário qualquer, foi frente o Barcelona: Athletic 12x1 Barcelona.

O Athletic é um dos maiores campeões na Espanha, são 8 campeonatos espanhóis e 24 Copas do Rei (o segundo maior vencedor da história, perdendo apenas para o Barcelona).

Por falar em Copa do Rei, a final da competição na temporada 2008/09 envolveu o Athletic Bilbao e o Barcelona. O vencedor se tornaria o “Rei de Copas”, pois ambos tinham 24 títulos.

Embora de forma mais moderada que os bascos, os catalães também nutrem um sentimento nacionalista e uma luta contra o poder central de Madrid.

A final marcou o encontro de dois clubes que representam as bandeiras de lutas de suas “nações”. De um lado o Athletic Bilbao, uma verdadeira seleção de bascos, do outro o Barcelona, uma seleção milionária, repleta de estrangeiros, porém um símbolo para o seu povo.

Dois momentos foram marcantes:

- Na execução do hino nacional da Espanha, bascos e catalães se juntaram e, em uníssono, vaiaram o hino que representa o centralismo e a repressão madrilista. A televisão espanhola, neste momento, cortou o áudio da transmissão na ridícula tentativa de esconder a realidade. Sem dúvida, foi um momento único e histórico.

- O Athletic saiu na frente e depois sofreu a virada. Mesmo com o jogo praticamente perdido, os seus bravos torcedores continuavam a cantar e a apoiar o time, em reconhecimento ao esforço de terem chegado tão longe. Cantavam muito mais alto e faziam uma festa muito mais bonita que os próprios torcedores do Barcelona. Ao fim da partida, os campeões do Barcelona foram ao encontro da torcida basca e a reverenciou, em um claro sinal de respeito e admiração.

Este ano, Athletic Bilbao e Barcelona se enfrentarão novamente na final da Copa do Rei 2011/12 e, desta vez, a decisão será na capital da Espanha, Madrid, o que dá ao jogo uma conotação simbólica extremamente marcante.

Dados do Athletic Bilbao:

Fundação: 1898

Sócios: 34.373

Estádio: San Mamés (inauguradao em 1913) - capacidade: 40 mil espectadores (todos sentados); o San Mamés Barria terá capacidade para 55 mil torcedores e deve ser inaugurado entre 2013 e 2014.


Títulos:

Campeão Espanhol (8): 1930, 1931, 1934, 1936, 1943, 1956, 1983 e 1984.

Campeão da Copa do Rei (24): 1902, 1903, 1904, 1910, 1911, 1914, 1915, 1916, 1921, 1923, 1930, 1931, 1932, 1933, 1943, 1944, 1945, 1950, 1955, 1956, 1958, 1969, 1973 e 1984.

Campeão da Supercopa da Espanha (1): 1984.

Um clube com uma rica história, vários títulos e uma postura singular no cenário do futebol mundial. É ou não é um grande exemplo de luta e honra?

O Athletic Bilbao é um raro exemplo de como um clube pode manter suas tradições. O Athletic se coloca como a resistência do povo basco e, por conseguinte, torna-se um ícone de resistência ao futebol globalizado, mercantilizado, transformado em um mero negócio.


GORA ATHLETIC!

Vídeos:

O último "doblete" (campeão Espanhol e da Copa do Rei), temporada 1983/84:


As vaias ao hino da Espanha, final da Copa do Rei 2008/09: